Nicolelis sobre cortes na ciência: “Tudo o que criei aqui está no ar”

Em entrevista a CartaCapital, renomado cientista brasileiro traça panorama dramático para o Brasil

Sociedade

Aparentemente, o governo de Jair Bolsonaro não se deu conta de que criar problemas com a produção científica está longe de ser uma grande ideia para o desenvolvimento do País. São palavras do médico e cientista brasileiro Miguel Nicolelis, em entrevista a CartaCapital: nós vivemos uma das maiores crises da história da ciência, situação comparável à época da ditadura militar.

Em abril deste ano, o governo cortou 42% da verba do Ministério da Ciência e Tecnologia, o que, na prática, gira em torno de 2 bilhões de reais. Na esteira, o Ministério da Educação também anunciou contingenciamentos que arriscam o funcionamento regular das universidades públicas. Frente às tesouradas, Nicolelis lamenta ver seus próprios projetos entrarem em risco. “Ninguém sabe o que vai acontecer. Estou no Brasil, de volta, há 18 anos, e tudo o que criei aqui está no ar”, diz.

Para o pesquisador, embora a produção científica brasileira tenha importância reconhecida internacionalmente, o desmonte comandado pelo próprio Estado brasileiro faz com que o nosso futuro tecnológico se encontre à beira do abismo. Nicolelis acredita que a ciência é um dos aspectos estratégicos para que o Estado garanta sua soberania. A CartaCapital, o especialista traça o panorama preocupante da educação no Brasil, mas também aponta sobre como reagir diante dos atuais retrocessos.

“Se um Estado nacional não investir em ciência e tecnologia, ele não é nacional, nem soberano. Este é o futuro que nos é reservado, se pilotarmos a reta que se avizinha ao que acontece hoje. Não terá nenhuma forma de autonomia. Todas as tecnologias básicas que vão definir quem será soberano não serão brasileiras”, opina.

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