Sociedade

Não temos vacinas, mas podemos contar com o feijão milagroso do pastor Valdemiro

Os preços variam de 100 a mil reais, a depender da eficácia do feijão e da gravidade do paciente

Fotos: Reprodução redes sociais Fotos: Reprodução redes sociais
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Sem vacina e sem juízo, o Brasil dedica-se a uma discussão de vital importância: os feijões mágicos do pastor Valdemiro Santiago curam ou não a Covid-19?

Há quatro meses, o juiz federal Tiago Bitencourt de David, da 5ª Vara Cível de São Paulo, cobra explicações do Ministério da Saúde. A pedido do Ministério Público, David havia determinado em outubro à pasta comandada pelo general Eduardo Pazuello que esclarecesse o tema em sua página oficial na internet. O pastor não obedeceu à proibição de vender as sementes milagrosas a seus fiéis. Os preços variam de 100 a mil reais, a depender da eficácia do feijão e da gravidade do paciente. Diante do silêncio do governo federal, o juiz reiterou o pedido de esclarecimento na quarta-feira 6.

Os procuradores acusam o fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, uma dissidência da Universal, de prática abusiva da liberdade religiosa e propaganda enganosa. Em nota, a igreja nega o que o próprio líder afirmou claramente em vídeo: os feijões não combatem o coronavírus. Quem produz esse efeito é a fé. “A semente não é a promessa de cura”, afirma o texto, “mas o início de um propósito com Deus. É uma figura de linguagem amplamente mencionada nos textos bíblicos.” É preciso reconhecer o talento de quem consegue vender uma figura de linguagem por mil reais. Só uma força superior seria capaz de prover tamanha iluminação.

Entende-se o silêncio do Ministério da Saúde. Valdemiro Santiago é um entusiasmado apoiador de Jair Messias Bolsonaro, escolhido de Deus para livrar o Brasil de todos os males. De um deles, ao menos, o País está imune, por obra direta do ocupante do Palácio do Planalto: o mal da razão. Aleluia.

Publicado na edição n.º 1139 de CartaCapital, de 13 de janeiro de 2021

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