Sociedade

A resposta do Padre Julio Lancellotti às críticas de ‘sionistas de esquerda’

A CartaCapital, o padre diz faltar senso crítico aos que contestaram sua participação em um ato pró-Palestina. ‘No fim, as pautas são as mesmas’

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O padre Julio Lancellotti, da Paróquia de São Miguel Arcanjo, em São Paulo, rebateu as críticas de um grupo de sionistas de esquerda por participar de um ato público, no sábado 4, a favor da Palestina.

Na ocasião, Lancelotti proferiu um discurso contra os ataques executados por Israel, que já deixaram mais de 10.000 mortos na Faixa de Gaza, segundo contabiliza o Ministério da Saúde palestino.

“Israel, além de ser um Estado assassino, é um Estado covarde”, disse o padre no ato. “Direito de defesa não é matar, direito de defesa não é ser covarde, ser assassino. Graças a Deus, nem todos os judeus e nem todos os israelitas apoiam esse governo assassino.”

Na terça-feira 7, um grupo chamado Coletivo Judias e Judeus Sionistas de Esquerda condenou, em uma carta aberta, a presença do pároco no protesto. Uma das alegações é que Lancellotti não teria demonstrado a mesma indignação com a morte de israelenses no conflito. O grupo também contestou a presença de bandeiras do Hamas entre poucos manifestantes.

“Espera-se de uma figura tão representativa e atuante no movimento de Direitos Humanos que demonstre o mesmo fervor com relação ao massacre de cerca de 1.400 israelenses, em sua maioria civis (…), e não de forma parcial e sobretudo ofensiva, como realizou-se na manifestaçlão mencionada”, argumentou o grupo.

“Eu leio essa manifestação com uma falta de análise, uma falta de senso crítico”, disse Lancellotti a CartaCapital nesta quarta-feira 8. “A gente não pode confundir o Hamas, que é um movimento terrorista, com o povo palestino, assim como não pode confundir o povo israelense e os judeus com o governo terrorista de Israel.”

Lancellotti chamou a atenção para o fato de o grupo ter entre suas pautas a queda do atual governo de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Na carta, o grupo também mencionou defender o cessar-fogo imediato, a partir da liberação de todos os reféns mantidos pelo Hamas, a dissolução de todos os poderes políticos do Hamas na Faixa de Gaza e o início das negociações para a fundação de um Estado palestino.

“Veja, os próprios sionistas de esquerda pedem a renúncia do primeiro ministro, ou seja, reconhecem a brutalidade do governo israelense. No fim, as pautas são as mesmas e passam pelo fim do genocídio em curso“, defendeu o padre. Questionado sobre a presença de indivíduos com a bandeira do Hamas no movimento, ele disse ser obra de infiltrados que não representam a maioria.

O professor do departamento de Sociologia e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ Michel Gherman retirou seu nome da carta que mencionava o padre Júlio Lancellotti e justificou ter se tratado de um mal-entendido.

Inicialmente, o pesquisador disse ter avaliado que a manifestação apenas seria entregue ao pároco, sem publicação. Também afirmou discordar de pontos do texto, como o que tenta associar a imagem de Lancellotti a símbolos extremistas.

“A resposta aos morticínios deve vir daqueles comprometidos com os valores humanistas, e o padre Julio certamente é uma pessoa fundamental para construir essas pontes”, pondera Gherman. “Eu acredito que a solução será política, com base no diálogo, e nisso eu e Lancellotti estamos do mesmo lado.”

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