Jovens, homens e pobres são principais vítimas da violência policial em SP, diz estudo

Mapa da Desigualdade mostra que discrepância entre ricos e pobres aumentou em indicadores como direitos humanos e saúde durante a pandemia

Créditos: Rovena Rosa/EBC

Créditos: Rovena Rosa/EBC

Sociedade

O Mapa da Desigualdade publicado nesta quinta-feira 21 aponta que a desigualdade na cidade de São Paulo aumentou quando comparadas as áreas nobres da capital com as periféricas.

Os dados revelam, por exemplo, que no Parque do Carmo, na zona leste, 23,4% dos óbitos foram provocados pela Covid-19. Já na Vila Leopoldina, na zona oeste, o número ficou em 12,7%, um dos menores índices. As regiões periféricas foram as que mais tiveram vítimas em São Paulo.

 

 

O Mapa é uma iniciativa da Rede Nossa São Paulo que busca revelar as desigualdades da cidade por meio das diferenças regionais. 

O estudo também revela que a desigualdade de renumeração do emprego formal aumentou 13%, a violência racial, 22%, o número de favelas aumentou 88%, assim como a desigualdade relativa à violência contra a mulher, que apresentou um crescimento de 145%. Quanto ao feminicídio, a desigualdade é 376% maior do que em 2016. 

De acordo com o levantamento, enquanto na região de Moema a proporção de crianças nascidas cujas mães tinha 19 anos ou menos é de 0,3%, no distrito Marsilac é de 15,7%. Os números correspondem a uma desigualdade de 60 vezes entre os extremos da cidade. Quanto mais afastado do centro da capital, maior o número de incidência de gravidez na adolescência. Em comparação com o levantamento de 2016, o indicador de desigualdade neste quesito subiu 89%. 

Quando o assunto é cultura, a periferia da cidade também apresenta os números mais baixos. Enquanto no centro o número de museus a cada 1000 habitantes é de 1,5, na maior parte das regiões não há nenhum.

Outro ponto alarmante são as mortes por violência policial. A publicação afirma que o índice é distribuído de forma significativamente desigual nos distritos, atingindo mais jovens, homens e pessoas pobres. Foi na região leste da capital onde a taxa de casos foi mais alta. 

Mesmo com a queda expressiva das taxas de homicídio na cidade, o número de casos de mortes por violência policial não abaixaram.

Leia o estudo completo aqui.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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