Sociedade

Instituto Marielle Franco luta para “regar sementes” dois anos após o crime

Ainda sem respostas sobre crime que matou Marielle Franco e Anderson Gomes, instituto organiza manifestação simbólica neste sábado

Marielle Franco, covardemente assassinada (Foto: Wikimedia)
Marielle Franco, covardemente assassinada (Foto: Wikimedia)
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Defender a memória, lutar por Justiça, espalhar o legado, regar as sementes. No dia 14 de março de 2018, Marielle Franco, Anderson Gomes e uma assessora da vereadora do PSOL voltavam de um evento no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro, quando foram atingidos por uma rajada de tiros. Marielle e Anderson morreram na hora. Dois anos depois, as frases do início deste parágrafo marcam o esforço de um instituto de manter a indignação pelo caso e a esperança para futuras gerações que vejam Marielle Franco como um modelo a ser seguido.

As respostas à pergunta “Quem mandou matar Marielle?” ainda são desconhecidas, apesar do anúncio recente de que os dois suspeitos do crime irão a juri popular. O assunto nunca saiu do radar – fato que os familiares souberam ler do ponto de vista positivo e negativo e que, no final, acabou no saldo de criar o Instituto Marielle Franco.

“O fato da Marielle ser gigante significa lidar com as partes boas, com as homenagens, que emocionam a todo momento, e também, por outro lado, com as notícias caluniosas”, diz Luna Costa, uma das coordenadoras do Instituto Marielle Franco, que é dirigido por Anielle Franco, irmã da vereadora.

Construído com metas de financiamento coletivo, o instituto foi lançado em março de 2020 com a inauguração da Casa Marielle, localizada no Centro do Rio de Janeiro ao longo de todo mês de março, que tem o objetivo de contar a trajetória política da socióloga com fotos e objetos pessoais. Entre os objetivos, há a intenção de construir um centro de fortalecimento de jovens chamado “Escola Marielles” e o lançamento nacional do Instituto.

 

Para Luna, a “esperança” é o sentimento que o instituto pretende manter aceso. Na candidatura de 2016, Costa ajudou a construir a campanha que elegeu a PSOLista com mais de 46 mil votos. Para Luna Costa, o impacto “simbólico e real” do crime é o que manteve o assunto no radar do interesse público – incluindo, também, a cobrança por Justiça.

“Esse crime é sobre humanidade e barbárie. É para além de polos de esquerda e direita. Em 2016 e 2017, o sentimento era de esperança, inspiração, de que era possível mulheres e a população de favelas e periferias estarem nesses espaços… eu acho que é um corte muito abrupto, é uma interrupção de uma pessoa que inspirava tantas outras.”, relata a coordenadora.

“Para a família, o instituto traz, no meio de tanta dor, a possibilidade de sonhar. Nosso público é tanto aquele que já conhece a Marielle e vê nela uma referência de luta, quanto um público que não a conhecia e não sabe qual era seu projeto político e o que ela defendia. Esse público pode estar recebendo muita desinformação.”, diz Luna.

Na data que marca dois anos de sua execução, foram pensadas ações nacionais para cobrar por justiça ao crime que incluíam manifestações nas ruas. O cenário da epidemia do coronavírus, no entanto, mudou os planos da iniciativa: “Pendure uma faixa, lenço, pano amarelo ou girassol na sua janela, coloque cartazes e lambes na sua rua, no poste ou na praça perto de casa!”, diz o recado.

Em mais um dia 14 de memória por Marielle e Anderson, relembrar que o crime ainda não foi resolvido é, para Luna, a confirmação dos ataques à democracia que o Brasil vem sofrendo.

“A gente busca por uma justiça não só individualmente, mas também pelo o que significa politicamente esse caso. Não é só por Marielle ser uma vereadora eleita com 46 mil votos, que estava no exercício de sua profissão, mas porque ela era uma mulher favelada, LGBT+, negra e defensora dos direitos humanos”, crava.

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani
É repórter do site de CartaCapital.

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