Em Bauru, PM vai à casa e ao trabalho de sindicalista para exigir mudanças no ato contra Bolsonaro

O coordenador da subsede da Apeoesp Bauru, Marcos Rogério Jesus Chagas, recebeu a visita de um policial na escola em que trabalha

Em Bauru, PM vai à casa e ao trabalho de sindicalista para exigir mudanças no ato contra Bolsonaro

Política,Sociedade

O coordenador da subsede da Apeoesp Bauru, Marcos Rogério Jesus Chagas, foi procurado, na quinta-feira 2, em sua residência e na escola onde atua por um capitão da Polícia Militar, identificado como Thiago, para desmarcar ou modificar o ato contra o presidente Jair Bolsonaro, agendado na cidade para  dia 7 de setembro.

“Na minha casa só estava a minha esposa, e o capitão colocou a ela que estava ali para solicitar o cancelamento ou a troca do ato para outro dia, e queria que fosse feito de imediato”, contou o coordenador à reportagem de CartaCapital. Com a informação de que Marcos não estaria em casa, o PM questionou onde ele estaria e que horário retornaria à residência.

Após isso, o capitão se dirigiu à escola onde Marcos trabalha como professor, na Escola Estadual Stela Machado, e solicitou à direção da unidade que o retirasse da sala de aula para que fosse feita uma conversa.

“Primeiro ele solicitou o cancelamento do ato, depois pediu a mudança. Expliquei a ele que não era o organizador, que não tinha como tomar essa decisão, que era algo definido por entidades, organizações e partidos, e ainda assim ele insistiu alegando que já tinha uma manifestação marcada para data”, relatou Marcos. O coordenador da Apeoesp disse que o sindicato não tomou conhecimento de nenhum chamado oficial pró Bolsonaro na cidade e que o PM também não apresentou qualquer material que indicasse que o local previsto para o ato – Praça Vitória Regia – já tinha sido reservado anteriormente.

A conversa terminou com o PM dando um prazo máximo ao coordenador para que a troca fosse feita até o meio dia da quinta-feira. A abordagem do policial aconteceu na parte da manhã, por volta das 9h30, segundo relatou Marcos.

“Na minha casa, entendemos que o policial chegou até a cometer um ato falho ao dizer para a minha esposa que o ato não poderia acontecer porque ‘a gente’ [a polícia] estaria organizando um ato. Depois, ele se corrigiu e disse que a PM acompanharia a manifestação”, acrescentou o coordenador, que questiona o modo como o policial chegou até ele, sem nenhum tipo de documento.

“Assustaram a minha esposa, me constrangeram no meu local de trabalho. Poderiam ter enviado uma intimação ao sindicato, outro tipo de abordagem”, narrou Marcos que disse ter ouvido do PM que chegaram até ele por um trabalho de inteligência da polícia militar que o identificou como organizador do ato.

Após o ocorrido, em conversa com as entidades que organizam o ato contra Bolsonaro em Bauru para o dia 7 de setembro, ficou decidida a mudança do local do ato, que será em frente à Câmara Municipal da cidade. “Fizemos por questão de segurança’, disse o coordenador, que ainda não entendeu se a ação se tratou de uma ação individual do policial, que foi até seu encontro com uma viatura e um outro PM a bordo, ou se há registro oficial da ação pela corporação.

O Sindicato dos Professores é uma das instituições envolvidas na organização de atos contra o presidente Jair Bolsonaro em Bauru. A manifestação conta com o envolvimento de pelo menos 18 entidades entre movimentos sociais, organizações sindicais e partidárias.

A reportagem de CartaCapital encaminhou questionamentos à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo sobre o ocorrido e aguarda manifestação.

 

 

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