Sociedade

Desembargador que humilhou guarda é flagrado sem máscara novamente

‘Eu não me lembro. Provavelmente não era eu’, disse Eduardo Siqueira em resposta ao portal G1, que obteve fotos do novo ocorrido

O desembargador Eduardo Siqueira na primeira abordagem da GCM, que popularizou-se após ser divulgada nas redes. Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O desembargador Eduardo Siqueira, que foi filmado xingando guardas civis municipais de Santos (SP) por ser autuado ao andar sem máscara na orla da praia, voltou a ignorar o decreto municipal e foi flagrado novamente.

Dessa vez, uma moradora da região, que não quis se identificar, afirmou ao portal G1 que Eduardo fez uma caminhada de 20 minutos entre dois pontos da orla com a máscara no pescoço até ver uma viatura da GCM. Nesse ponto, o desembargador teria voltado a colocá-la corretamente.

Em resposta ao portal, apesar das fotos, o desembargador não afirmou que tivesse repetido o ato, e disse que a moradora da região deveria fazer uma reclamação por escrito para que ele pudesse ter direito de resposta. “Eu não me lembro. Provavelmente não era eu”, disse à reportagem.

Siqueira também disse que ignorava as “viaturas da guarda, esses meninos para cima e para baixo” porque os agentes estragariam a praia. “Uma coisa que eu ignoro são essas viaturas da guarda, esses meninos para cima e para baixo. Não dou a menor bola para eles, é um desprazer ver eles estragando, destruindo, poluindo a praia”, disse.

Por ter xingado os GCMs e rasgado a multa aplicada, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal de Justiça de São Paulo afirmaram que investigariam o vídeo para averiguarem possíveis desvios de conduta.

Para o corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, o vídeo demonstra indícios de possível violação aos preceitos da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e ao Código de Ética da Magistratura. Já o TJ-SP observou que “determinou imediata instauração de procedimento de apuração dos fatos”, afirma a nota assinada pelo presidente do tribunal, Geraldo Francisco Pinheiro Franco.

Depois da ampla repercussão do caso, o desembargador chegou e pedir desculpas pelo ocorrido. “Minha atitude teve como pano de fundo uma profunda indignação com a série de confusões normativas que têm surgido durante a pandemia – como a edição de decretos municipais que contrariam a legislação federal – e às inúmeras abordagens ilegais e agressivas que recebi antes, que sem dúvida exaltam os ânimos. Nada disso, porém, justifica os excessos ocorridos, dos quais me arrependo.”, escreveu.

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