Sociedade

Bruno e Dom: PF vê ‘versão desconexa’ e solta homem que se apresentou à polícia

A sua versão ao se entregar foi considerada verossímil pela Polícia Civil; as investigações do caso, no entanto, são são conduzidas por autoridades federais, que apontaram relato ‘desconexo’ e ‘pouco crível’

O Indigenista Bruno Araújo e o jornalista Dom Phillips. Foto: Daniel Marenco | Reprodução
O Indigenista Bruno Araújo e o jornalista Dom Phillips. Foto: Daniel Marenco | Reprodução
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A Polícia Federal (PF) soltou o homem que se apresentou na quinta-feira, 23, em São Paulo para confessar envolvimento no assassinato do indigesta Bruno Pereira e do repórter britânico Dom Phillips. Os investigadores dizem que a versão dele é “pouco crível e desconexa com os fatos até o momento apurados”.

Na manhã de ontem, Gabriel Pereira Dantas procurou policiais na Praça de Sé, na região central da capital paulista, e disse que queria se entregar. Ele foi levado para o 2.º Distrito Policial, no Bom Retiro, onde detalhou com “riqueza de detalhes”, segundo os delegados que o ouviram, como ajudou a esconder os pertences, a ocultar os corpos e a afundar o barco de Bruno e Dom.

Ao final da tarde, ele foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em São Paulo sob forte escolta policial. Ao ser interrogado novamente, segundo a PF, ele permaneceu calado. As investigações do duplo homicídio são conduzidas por autoridades federais.

A Polícia Civil de São Paulo chegou a solicitar a prisão temporária dele, mas a Justiça do Amazonas negou o pedido. O delegado Roberto Monteiro, policial tarimbado no combate à criminalidade que comanda a Delegacia Seccional Centro, disse que acreditava na versão e que parte das informações passadas pelo suspeito já haviam sido confirmadas. “É uma versão que tem fundamento”, afirmou. “Ele relata com muita riqueza de detalhes.”

Versão

Em depoimento à Polícia Civil, Dantas disse que morava em Manaus mas se mudou para Atalaia do Norte depois de ter sido ameaçado por traficantes. Ele afirma que estava na cidade há poucos dias quando se envolveu no crime. Recém-chegado, teria se aproximado de um homem conhecido como “Pelado” ao frequentar o Bar e Mercearia dos Amigos. Não se sabe se ele se refere a Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, ou Jeferson da Silva, o Pelado da Dinha. Ambos foram presos na investigação das mortes de Bruno e Dom.

No dia do crime, ele disse que estava bebendo com Pelado e recebeu o convite para sair de barco. Eles teriam encontrado a embarcação de Bruno e Dom no rio Madeira, na altura da comunidade Vila Isabel. O suspeito afirma que o jornalista e o indigenista não tinham “prática em andar rápido” e foram alcançados após uma perseguição. Dantas atribuiu a execução a Pelado, que segundo ele usou uma espingarda calibre 16.

Em sua versão, considerada verossímil pela Polícia Civil, ele passou os últimos dias em fuga. O objetivo seria chegar ao Rio de Janeiro. Entre trechos percorridos de barco e de carona, Gabriel Dantas diz que cruzou três estados. Ele afirma ter saído de Atalaia do Norte, no Amazonas, e viajado por Manaus (AM), Santarém (PA), Trairão (PA), Cuiabá (MT), Guarantã do Norte (MT) e Rondonópolis (MT) antes de chegar a São Paulo. Usuário de drogas, também relatou ter passado por uma casa de acolhimento para dependentes químicos no Pará. O trajeto soma mais de 8,5 mil quilômetros.

No caminho, disse que contou com a ajuda de um caminhoneiro, que chegou a abrigá-lo e a dar R$ 150 para ele passar os seus primeiros dias na capital paulista, sem saber que o homem era suspeito de participação no assassinato de Bruno e Dom. O caminhoneiro foi interrogado pela Polícia Civil em Goiás e confirmou a versão do suspeito.

Estadão Conteúdo

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