Política

Brasil chega a 3 milhões de armas particulares após Bolsonaro estimular o acesso

‘Esse aumento é preocupante pelas diversas pesquisas que relacionam a maior disponibilidade de armas com aumento da violência’, alertam institutos

Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um apoiador ferrenho do aumento da circulação de armas. Foto: Reprodução/Redes Sociais Câmara do MPF critica Bolsonaro por portaria que afrouxou controle de armas
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O Brasil tem quase 3 milhões de armas em acervos particulares, conforme dados divulgados pelos institutos Sou da Paz e Igarapé, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. A formação desse arsenal tem ligação direta com os quatro anos de Jair Bolsonaro (PL) na Presidência, marcados por medidas de flexibilização do acesso a armas e munições.

Em 2018, o total era pouco superior a 1,3 milhão de armas. A partir de 2019, primeiro ano do mandato do ex-capitão, os registros começaram a disparar: 1,5 milhão naquele ano, 1,8 milhão em 2020, 2,3 milhões em 2021 e 2,9 milhões no ano passado.

Os acervos particulares levam em consideração armas de caçadores, atiradores desportivos e colecionadores, os CACs; de cidadãos com registro para defesa pessoal; de caçadores de subsistência; de servidores civis (como policiais e guardas civis) com prerrogativa de porte e que compraram armas para uso pessoal; e de membros de instituições militares (policiais militares, bombeiros militares) que compraram armas para uso pessoal.

“Esse aumento rápido é preocupante pelas diversas pesquisas que relacionam a maior disponibilidade de armas com aumento da violência, em especial quando estão nas mãos de particulares e não são submetidas aos controles existentes, por exemplo, em Corregedorias e Ouvidorias”, alertam os institutos.

O monitoramento aponta, também, uma mudança de perfil coerente com a defesa do armamentismo por Bolsonaro. Em 2018, quase metade do acervo particular (47%) correspondia a armas de militares, enquanto os CACs respondiam por 26% do total. Em 2022, os índices foram, respectivamente, de 25% e 42%.

Em 2018, os CACs compraram 59 mil armas, número que saltou nos anos seguintes: 78 mil em 2019, 125 mil em 2020, 223 mil em 2021 e 431 mil em 2022.

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