Justiça

A cobrança do CNDH para aprofundar investigação de adolescente que foi a formatura com traje nazista

O caso aconteceu em Mossoró, a 280 quilômetros de Natal (RN)

A cobrança do CNDH para aprofundar investigação de adolescente que foi a formatura com traje nazista
A cobrança do CNDH para aprofundar investigação de adolescente que foi a formatura com traje nazista
Adolescente em foto posada com o uniforme e, na segunda imagem, fazendo reverência com braço direito levantado. Créditos: Reprodução
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O Conselho Nacional dos Direitos Humanos enviou uma representação ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, nesta sexta-feira 15, na qual defende a realização de busca e apreensão em endereços ligados aos pais de um adolescente que participou de uma cerimônia de formatura com trajes nazistas. O caso aconteceu em Mossoró, a 280 quilômetros de Natal, no último fim de semana.

Devem ser confiscados, segundo o documento, celulares, laptops e outros aparelhos eletrônicos acessados pelo menor, além de “farda, insígnias e demais objetos utilizados na manifestação, a fim de assegurar a preservação de provas e viabilizar a apuração de sua procedência, origem, forma de aquisição e eventual vinculação com redes, grupos ou organizações extremistas”.

“O caso evidencia a necessidade de uma investigação abrangente, que considere não apenas a conduta imediata, mas também os contextos sociais, familiares, digitais e institucionais que possam ter contribuído para a ocorrência da manifestação, em consonância com a perspectiva de prevenção e enfrentamento estrutural ao extremismo e ao discurso de ódio”, diz o texto, assinado pela presidenta do CNDH, Ivana Leal.

O adolescente foi à formatura como convidado de duas irmãs, formandas em Medicina na Faculdade Nova Esperança de Mossoró. Além do traje, ele apareceu em vídeos fazendo a tradicional saudação nazista, com o braço direito estendido. Em nota, a instituição de ensino informou que não participou da organização do evento e manifestou repúdio ao episódio.

A Master Produções e Eventos, empresa responsável por organizar a festa, afirmou que o menor chegou ao local sem a vestimenta e trocou de roupa após o cerimonial, “para registros fotográficos de cunho pessoal”. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra o menino declarando ter adquirido o uniforme em uma feira de Fortaleza (CE).

Segundo informações da imprensa potiguar, o adolescente seria de uma família ligada a um dos fundadores de um grupo que, em 2013, foi investigado por propagar teses supremacistas brancas e eugenistas. Por isso, o CNDH também solicitou ao MP estadual uma apuração sobre eventual responsabilidade de pais e outros familiares do menino, bem como de uma possível “conexão do episódio com organizações, grupos ou redes supremacistas, neonazistas ou extremistas”.

“A experiência acumulada em investigações dessa natureza demonstra que manifestações públicas dessa ordem, ainda que protagonizadas por adolescentes, frequentemente se inserem em dinâmicas mais amplas de validação simbólica, desafios virtuais, estímulos ideológicos ou estratégias de visibilidade promovidas por terceiros”, finaliza a representação, articulada por Carlos Nicodemos, relator especial para o Enfrentamento ao Discurso de Ódio, ao Extremismo e ao Neonazismo do CNDH.

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