14% dos menores de 5 anos têm deficiência de vitamina encontrada na carne, mostra estudo

Estudo inédito mapeou o estado nutricional infantil no Brasil antes da pandemia. Desde então, o preço da proteína animal subiu 31%

(Foto: Luciano Carcará/Repórter Brasil)

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Sociedade

A desigualdade socioeconômica do País se reflete em deficiências nutricionais e compromete o desenvolvimento saudável das crianças brasileiras. É o que mostra uma pesquisa inédita coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a UERJ, a UFF e a Fiocruz.

Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), 14,2% das crianças brasileiras de até 5 anos enfrentam deficiência de alguma vitamina ou mineral. Mais precisamente, da vitamina B12. E 10% delas apresentam anemia. Nesta fase da infância, a deficiência nutritiva provoca consequências como déficit de crescimento, raquitismo e baixo desempenho cognitivo, além de comprometer o sistema imunológico. 

“As fontes de vitamina B12 são exclusivamente alimentos de origem animal, principalmente – carne bovina, suína, fígado, vísceras e peixes. A dificuldade de acesso a esses alimentos pode estar relacionada à alta prevalência de deficiência de vitamina B12 nessa faixa etária”, esclarece Gilberto Kac, professor titular do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ.

Apesar dos índices terem aumentado em todo o País, a diferença regional é grande. As crianças do Norte continuam sendo as mais afetadas. De 2006 para 2019, a taxa de crianças anêmicas subiu quase 7% no Norte, alcançando 17% do grupo etário. Entre aquelas que mais sofrem com a falta de nutrientes estão as crianças pobres, pardas ou negras. Destas, 31,9% apresentam algum nível de insuficiência de vitaminas. 

Os dados do estudo foram coletados de fevereiro de 2019 a março de 2020, quando a pesquisa foi interrompida devido à pandemia.

De lá para cá, o preço da carne teve um forte aumento (mais de 31,64% nos últimos 12 meses), podendo ter agravado ainda mais o cenário de insegurança nutricional infantil. E continuará subindo. 

O estudo ainda aponta que a ausência destes nutrientes é um problema de saúde pública, sendo essencial a ação do estado para combate-la. 

No entanto, o governo do presidente Jair Bolsonaro continua promovendo o desmonte das políticas de combate à fome, tendo inclusive, recorrido ao Supremo Tribunal Federal para que não seja obrigado a adotar tais medidas para atenuar o crescimento da miséria no Brasil. 

Outro relatório publicado em setembro revelou que quase metade das famílias brasileiras com crianças menores de 5 anos (47,1%) vive em algum grau de insegurança alimentar. 

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Repórter do site de CartaCapital

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