Witzel diz que vai prender quem furar isolamento no Rio

Governador prorrogou medidas de isolamento social e mencionou Tribunal Penal Internacional para punir governantes

Wilson Witzel tomou decisão para conter coronavírus. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Wilson Witzel tomou decisão para conter coronavírus. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Política,Saúde

Após anunciar que as medidas de isolamento social serão mantidas por mais 15 dias no Rio de Janeiro nesta segunda-feira 30, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou que quem quebrar as regras determinadas poderá ser preso. O governador também chegou a citar, indiretamente, que o presidente Jair Bolsonaro poderia ser responsabilizado perante o Tribunal Penal Internacional de Haia caso incentivasse a população a descumprir as medidas.

“Não desafiem o vírus, não desafiem a pandemia. Mas, se assim fizerem, determinarei que sanções sejam aplicadas. [Sanções] criminais, pela ação das polícias Militar e Civil. E outras sanções poderão vir posteriormente, inclusive de responsabilidade civil. Então, quem quiser desafiar, será responsabilizado”, afirmou Witzel em coletiva de imprensa.

Witzel publicou no Diário Oficial do estado desta segunda-feira um novo decreto com a prorrogação das medidas para reduzir a movimentação e aglomeração de pessoas no estado. As aulas continuam suspensas, o transporte permanece restrito e eventos com presença de público mantêm-se proibidos. Restaurantes podem funcionar apenas com 30% da capacidade, fazer entregas e atender a pedidos para serem levados na hora.

“Peço ao povo do estado do Rio que confie e acredite que estamos vivendo momentos muito difíceis e que estamos trabalhando para que pessoas tenham a chance de sobreviver, para que possam estar no respirador e para que possamos olhar nos olhos das famílias e dizer que fizemos de tudo que foi possível”, acrescentou.

Em pé de guerra com Bolsonaro, que critica governadores que vêm adotando medidas restritivas em relação ao convívio social para barrar a expansão do vírus, Witzel lembrou que o Brasil é signatário do Tribunal de Haia. Uma possível apresentação formal contra o presidente não seria sequer sua primeira menção no tribunal – ele já foi denunciado após falas de ódio contra indígenas. No domingo, Bolsonaro contrariou todas as indicações do Ministério da Saúde e deu um passeio nas ruas de Ceilândia, região metropolitana do Distrito Federal.

Presidente Jair Bolsonaro vai ao mercado em Brasília no último domingo 29. (Foto: Reprodução)

“Não tolerarei que pessoas façam aglomerações nas ruas para protestar para o que quer que seja. Se desafiarem as autoridades, os responsáveis serão presos. Aquele governante que desafiar aquilo que a OMS está determinando poderá ser responsabilizado até mesmo no Tribunal Penal Internacional, ao qual o Brasil é signatário.”, disse o governador.

De acordo com o secretário de Saúde do estado, Edmar Santos, as medidas de isolamento estão contribuindo para o achatamento da curva no Rio, ou seja, impedindo que muitas pessoas sejam infectadas ao mesmo tempo e que o sistema de saúde não consiga atender todos os pacientes. “É precoce falar em detalhes. A tendência é que caminhe em trajetória mais horizontal e pode ser que, dentro de duas semanas, ela venha a encontrar a curva da Coreia do Sul [país considerado referência no enfrentamento ao Covid-19].”

Segundo Witzel, o governo irá fazer uma nova avaliação no dia 4 de abril para, no dia 6, definir se é possível alguma flexibilização nas medidas. Isso dependerá do ritmo de contágio. “Tomamos uma decisão baseada em análises técnicas do setor de saúde, que está trabalhando diuturnamente.”

Witzel disse que, neste momento, caso o governo federal determine a retomada de todas as atividades, o estado manterá medidas de isolamento, o que foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que as medidas do estado seguem estudos e orientações de organizações internacionais e do Ministério da Saúde.

Testagem no estado

De acordo com o governador, o estado receberá nesta quarta-feira 01 400 mil testes rápidos de uma primeira remessa de 1,5 milhão adquiridos pelo Rio de Janeiro. A testagem irá ajudar o estado a controlar a pandemia.

Santos disse que o governo pretende usar um aplicativo para mapear os casos e traçar estratégias para poder inclusive liberar a retomada normal de atividades pessoas que tenham condições de fazê-lo e já estejam imunizadas por já terem tido e terem sido curadas da covid-19. “Já que teremos testes disponíveis, queremos fazer [o uso] de uma forma inteligente. Não só testar, mas ter um banco de dados.”

O governo reforçou ainda que irá ampliar o número de leitos no estado em oito hospitais de campanha e que comprou itens de segurança como máscaras, luvas e óculos. Além de disponibilizar ambulâncias para o atendimento de pacientes com Covid-19, entre outras medidas. O governo também vai distribuir cestas básicas a populações vulneráveis.

*Com Agência Brasil

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