Sem data para receber matéria-prima, Fiocruz negocia vacinas prontas com a Índia

Suplementação não tem acordo fechado em relação a quantia de doses, mas coincide com incerteza sobre chegada do IFA da China

Servidor da Fiocruz prepara vacina de Oxford/AstraZeneca para a primeira aplicação no Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Servidor da Fiocruz prepara vacina de Oxford/AstraZeneca para a primeira aplicação no Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Saúde

A Fundação Oswaldo Cruz negocia com a Índia a compra de doses adicionais da Covishield, vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, pela Universidade de Oxford e com um braço de pesquisa da Fiocruz no Brasil.

O primeiro lote de dois milhões de doses chegou ao País na sexta-feira 22, e já foi distribuído para os estados para complementar a campanha iniciada pela CoronaVac.

Em nota, a Fiocruz explica que “estariam sendo negociadas doses adicionais” importadas da Índia, mas não detalha a quantidade. Nesta segunda-feira 25, um representante do Instituto Serum disse à CNN Brasil que serão enviados 10 milhões de doses ao País, mas apenas depois que a Índia terminar de suplementar a vacinação dos países vizinhos.

“O processo conta com o apoio do governo da Índia e da AstraZeneca, que vem colaborando em todo o esforço de antecipação das vacinas frente às dificuldades alfandegárias para exportação do IFA na China”, afirma a Fiocruz.

Ainda não há data prevista para a chegada do IFA, o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima necessária para fazer a vacina no Brasil. Segundo a Fiocruz, cada lote garante a produção de 7,5 milhões de doses.

 

 

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Saúde tentam agilizar o processo perante as autoridades chinesas, mas o histórico de mau relacionamento diplomático do governo de Jair Bolsonaro com a potência asiática prejudicou o Brasil, afirmam especialistas.

O IFA para a produção da CoronaVac também aguarda autorização da China para chegar ao País.

Na semana passada, a Fiocruz anunciou o adiamento da entrega das doses manufaturadas no Brasil para março. “Há uma sinalização de 8 de fevereiro para envio da carga, mas ainda sem confirmação, já que a licença para exportação, a ser concedida pelas autoridades chinesas, segue pendente”, finaliza a nota.

 

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