OMS diz que Brasil vive uma ‘tragédia’ e que países mostraram ser possível conter as variantes do coronavírus

Segundo o diretor-executivo de emergências da organização, Mike Ryan, 'esta deve ser a quarta onda que o Brasil volta a enfrentar'

O diretor-executivo de emergências da OMS, Mike Ryan. Foto: FABRICE COFFRINI/AFP

O diretor-executivo de emergências da OMS, Mike Ryan. Foto: FABRICE COFFRINI/AFP

Saúde

O diretor-executivo de emergências da Organização Mundial da Saúde, Mike Ryan, afirmou nesta sexta-feira 26 que o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre o Brasil é uma “tragédia” e ponderou que, se não houver atenção redobrada, o sistema de saúde poderá não dar conta dos pacientes.

Questionado se o fato de o Brasil viver o pior momento desde o início da pandemia se deve à disseminação das novas variantes, Ryan disse que o peso delas “ainda não é totalmente conhecido” e que diversos países demonstraram que, com as medidas corretas, é possível enfrentá-las.

 

 

“Infelizmente, é uma tragédia que o Brasil esteja enfrentando isso de novo e é difícil. Esta deve ser a quarta onda que o País volta a enfrentar, eu acho”, afirmou o diretor-executivo da OMS. “Não houve um ponto do País que não tenha sido afetado de forma grave pela pandemia.”

Na sexta-feira 26, o Brasil registrou 1.337 mortes por Covid-19, o que levou o total de vítimas fatais da doença no País a 252.835, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde. O Conass também contabilizou 65.169 novos casos em 24 horas. Com isso ,já são 10.455.630 infectadas, de acordo com os dados oficiais. A média móvel de óbitos pela doença nos últimos sete dias é de 1.153; a de casos, 53.422.

Segundo Mike Ryan, não basta o Brasil se limitar a abrir novos leitos para tratar pacientes com Covid-19. “Aumentar o número de leitos é importante e necessário, mas não será suficiente se os casos continuarem subindo. Já vimos isso no passado. Se o sistema não está dando conta agora, não vai dar conta depois se a pressão continuar subindo, sem ser contida.”

De acordo com um estudo da Fiocruz, 11 estados e o Distrito Federal estão na zona de alerta crítica em relação à disponibilidade de leitos, e 13 na zona intermediária. Somente um, o Mato Grosso, aparece fora da zona de alerta.

Os dados foram coletados e analisados entre 31 de janeiro e 20 de fevereiro, da quinta à sétima semana epidemiológica.

São considerados em situação crítica os estados que possuem mais de 80% dos leitos de UTI-Covid ocupados. Estão nessa lista, segundo a Fiocruz, Roraima (82%), Amazonas (95%), Acre (89%), Rondônia (97%), Ceará (92%), Rio Grande do Norte (81%), Pernambuco (85%), Bahia (80%), Goiás (89%), Distrito Federal (87%), Paraná (92%), Santa Catarina (93%) e Rio Grande do Sul (84%).

Ryan também fez questão, nesta sexta-feira, de criticar o discurso dos que se manifestam contra a adoção de medidas contra a Covid-19 para, supostamente, evitar danos econômicos. Ele não citou especificamente o presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente ataca governadores e prefeitos que articulam ações locais para lidar com o avanço da pandemia.

“É fácil estar aqui sentado e dizer o que deveria fazer um país grande como o Brasil, com várias gerações convivendo numa mesma casa, com regiões pobres e carência. Mas a Nigéria, que também é um país muito populoso, com enormes cidades, precisou tomar decisões difíceis. E, sem deixar de reconhecer os impactos sociais e econômicos, conseguiu o equilíbrio entre os custos econômicos e de saúde e adotou medidas persistentes e coerentes”, afirmou.

 

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