Governo orienta Fiocruz a recomendar cloroquina contra coronavírus, e instituição rebate

Médico afirmou que ofício do Ministério da Saúde foi 'pouco profissional' e lembrou falta de comprovação sobre eficácia contra a covid-19

Foto: Reprodução/Facebook

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Saúde

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) rebateu a campanha do presidente Jair Bolsonaro em favor da cloroquina e afirmou que não recomenda o uso do medicamento para tratar pacientes contra o coronavírus.

A declaração ocorre um dia após a revelação de que o Ministério da Saúde orientou a instituição científica a recomendar a substância nas fases iniciais da doença. Segundo o site G1, a pasta encaminhou um ofício à Fundação, datado de 29 de junho e assinado pelo secretário de Atenção Especializada à Saúde, Luiz Otavio Franco Duarte.

Nesta sexta-feira 17, a orientação foi rechaçada pelo médico sanitarista Claudio Maierovitch, coordenador e pesquisador do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (NEVS) da Fiocruz Brasília. Em entrevista à emissora GloboNews, Maierovitch classificou o ato do Ministério da Saúde como “pouco profissional”.

“Acho inusitado fazer uma orientação de uma forma tão pouco profissional, digamos assim. A profissão médica tem uma série de ritos e cuidados para proteger as boas práticas, proteger os usuários dos serviços de saúde”, comentou o médico. “Então, não é usual que, por meio de um simples ofício que não tem uma base científica sólida, se oriente uma mudança em relação à conduta dos profissionais.”

Maierovitch frisou que a Fiocruz segue com a orientação de que “não há base científica para a indicação da cloroquina no tratamento da covid-19”.

“Ao contrário, já há um conjunto de evidências, possivelmente haverá mais, estamos aguardando a conclusão de outros estudos, é de que a cloroquina não deve ser utilizada”, afirmou. “É estranho que alguma coisa desta dimensão, no momento de uma epidemia que se alastra de uma maneira tão grande e que traz tanta responsabilidade para os profissionais, uma orientação de tratamento seja dada de uma forma improvisada.”

Infectado pelo coronavírus, Bolsonaro publicou um vídeo em 7 de julho em que tomou uma dose de hidroxicloroquina. Após a postagem, levantamento divulgado por CartaCapital mostrou que, nas redes sociais, o presidente da República é visto como “garoto propaganda” do medicamento.

“Com toda a certeza, está dando certo. Sabemos que existem outros remédios que podem ajudar a combater o coronavírus, sabemos que nenhum tem a sua eficácia cientificamente comprovada. Mas, mais uma pessoa que está dando certo. Então, eu confio na hidroxicloroquina. E você?”, disse o chefe do Palácio do Planalto.

 

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