Brasil supera os 2 milhões de casos de coronavírus

País já contabiliza mais de 76 mil mortes por Covid-19, segundo Conass

Foto: Tchelo Figueredo/Fotos Públicas

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Saúde

O Brasil atingiu nesta quinta-feira 16 a marca de dois milhões de infecções por coronavírus, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Segundo o levantamento, já são mais de 76 mil mortes por covid-19 no País.

Painel do Conass nesta quinta-feira

Na quarta-feira 15, o Conass contabilizou 75.366 mortes e 1.966.748 infecções por coronavírus. Em 24 horas, o órgão havia regristrado 1.233 óbitos e 39.924 casos confirmados da doença.

Os números colocam o Brasil na vice-liderança no ranking mundial de casos e de mortes por covid-19, segundo contagem da Universidade Johns Hopkins. No topo da lista estão os Estados Unidos com mais de 136 mil vítimas fatais e 3,4 milhões de contaminações.

Também na quarta, o Ministério da Saúde divulgou que nove estados tiveram crescimento de casos e outros 10 viram elevação no número de mortes entre a 27ª e a 28ª semana epidemiológica.

Os estados com aumento no número de infectados foram Tocantins, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Já os com crescimento no número de óbitos foram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Distrito Federal.

Os dados mostram, ainda, que a covid-19 chegou em 97,4% (5.428) das cidades brasileiras. Há 3.056 municípios com registro de ao menos um óbito.

Sem ministro da Saúde

Neste cenário, o Brasil completou dois meses sem um titular no Ministério da Saúde. Desde a saída de Nelson Teich, a pasta é comandada interinamente pelo general Eduardo Pazuello.

No período, Pazuello viu a curva de casos e óbitos crescer vertiginosamente durante os 61 dias de sua gestão. Em 14 de maio, o país tinha uma média de 9.627 casos diários. Nesta semana, chegou a 36.650. Em relação aos óbitos, a média passou de 686 mortes para 1.056 no mesmo período.

Nos últimos dias, cresceu a pressão pela substituição de Pazuello no pasta. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a declarar que “o Exército está se associando a esse genocídio”, em referência ao número de mortes.  Na ocasião, representantes das Forças Armadas pediram retratação do magistrado e entraram com uma ação na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A gestão de Pazuello no Ministério tem sido marcada pela aceitação, sem contestação, do que diz o presidente Jair Bolsonaro. Foram os embates com o capitão – sobre o uso da cloroquina, por exemplo – que fizeram com que Luiz Henrique Mandetta e Teich deixassem o comando do órgão.

Para Mandetta, Bolsonaro se expôs ao ridículo ao dizer que o coronavírus seria uma gripezinha.

“Ele [Bolsonaro] começou a se cercar daquelas pessoas que em tempos de crise adoram falar o que o chefe quer ouvir. Ele acreditou e se expôs ao ridículo de ir à rede nacional de televisão dizer que o coronavírus seria só uma “gripezinha” que não mataria ninguém. Depois, apegou-se a essa cloroquina porque o [presidente dos EUA, Donald] Trump disse que o medicamento era bom para tratar a doença. A influência do Trump para ele, nesse ponto, foi muito negativa. Então ele apareceu com uma caixinha na mão, dizendo que a cloroquina iria salvar todo mundo”, criticou o ex-ministro em entrevista recente.

Flexibilização

Enquanto o País supera os dois milhões de casos, governadores e prefeitos começam a flexibilizar o isolamento social e reabrir a economia.

Em São Paulo, líder entre os estados mais afetados, o governador João Doria (PSDB) anunciou nesta semana a flexibilização para o retorno da educação complementar, que consiste de cursos de idiomas, artes, informática, entre outros. Além disso, também serão autorizadas a retomada das atividades de cursos de ensino superior que exigem aulas presenciais, como Medicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Odontologia.

“Nós temos um gargalo importante na área da saúde e dos cursos técnicos em que educação a distância não consegue dar conta de tudo. Nas disciplinas mais teóricas é possível trabalhar com educação a distância, mas o curso prático, o estágio supervisionado de um futuro médico, o internato de um médico, isso é fundamental para a formação. Se não tivermos esse ciclo funcionando, teremos um hiato de formação de profissionais da saúde”, disse o secretário de educação, Rossieli Soares.

Pelo Twitter, o coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis, usou como exemplo dados dos Estados Unidos, após o relaxamento da quarentena.

Ainda sobre o tema, o cientista apontou que a flexibilização é uma “decisão complexa”.

“Você tem que pensar nos indicadores da epidemia, se a taxa da transmissão está alta, se o platô de casos e óbitos é muito grande, tem que pensar também como é que essa pandemia está se espalhando geograficamente, os fluxos que estão trazendo casos ou levando casos para outras regiões do estado. É uma decisão complexa, não é fácil. Eu me solidarizo com os gestores na dificuldade de tomar essas decisões, mas no ponto de vista científico, a gente não vê ainda o momento para uma abertura mais ampla”, afirmou em entrevista ao Jornal da Manhã, de Salvador (BA).

Na capital baiana, a primeira fase do plano de reabertura do comércio, que inclui os shoppings, pode acontecer ainda neste mês de julho. O prefeito  ACM Neto (DEM) anunciou a implantação de novos leitos de UTI na cidade e disse que, se a taxa de ocupação ficar em 75% por ao menos cinco dias consecutivos, existe a possibilidade de retomada das atividades em breve.

Vacina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta semana, que o Brasil apresentou um pedido oficial para participar do sistema mundial criado para garantir a vacina contra o novo coronavírus.

O programa de financiamento é chamado “COVAX Facility” e já tem 75 países interessados em fazer parte do mecanismo.

A lista inclui, além do Brasil, Argentina, Canadá, República Tcheca, Estônia, Finlândia, Islândia, Irlanda, Israel, Japão, Kuwait, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Catar, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Suíça, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.

Em São Paulo, o Instituto Emílio Ribas começou a cadastrar os voluntários para participar da terceira e última fase de testes da vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

No total, 9 mil profissionais de saúde participarão do estudo no Brasil.

 

Novo SARS-CoV-2 de Coronavírus Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula (azul) fortemente infectada com partículas do vírus SARS-COV-2 (vermelha), isoladas de uma amostra de paciente. Imagem capturada no NIAID Integrated Research Facility (IRF) em Fort Detrick, Maryland. Crédito: NIAID
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