Após pedido do MPF, governo classifica feijão que cura coronavírus como fake news

Publicação alertando para embuste do pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, ficou restrita ao site da pasta

(Foto: Reprodução/Igreja Mundial do Poder de Deus)

(Foto: Reprodução/Igreja Mundial do Poder de Deus)

Saúde

O Ministério da Saúde cumpriu uma recomendação do Ministério Público Federal e classificou, publicamente, que um feijão vendido pela Igreja Mundial do Poder de Deus não é a cura para o coronavírus. A pasta, porém, não divulgou o comunicado nas redes sociais, por onde a igreja chegou a anunciar a venda do feijão.

No vídeo, que já foi removido do YouTube após um pedido da Procuradoria dos Direitos do Cidadão em São Paulo, o pastor Valdemiro Santiago aparecia dizendo que a igreja teve casos de pessoas curadas a partir da compra da semente.

“Só tem um jeito de se vencer essas fases difíceis: semeando. Essa semente, “sê tu uma benção”… você vai semear essa semente e na planta que nascer vai estar escrito ‘Sê tu uma benção'”, diz Valdemiro. Depois, dá o lance inicial – ou “propósito” – de 1000 reais por fiel para adquirir o produto.

Na página de notícias do Ministério, a publicação aparece com um símbolo de “Isto é fake news!” e um texto explicativo afirmando que “não há, até o momento, produto, substância ou alimento que garante a prevenção ou tratamento do coronavírus.”

Foto: Ministério da Saúde/Reprodução

A publicação, no entanto, não tinha sido compartilhada nas redes sociais do Ministério até a noite desta quinta-feira 11. É prática que a página da pasta divulgue as informações classificadas como falsas, como é o caso da desmentida fala do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre a notificação de covid-19.

Valdemiro Santiago é um dos líderes religiosos que apoia o presidente Jair Bolsonaro desde os tempos de eleição, e aparenta proximidade com o presidente. No ano passado, chegou a receber um passaporte diplomático, mas teve o acesso barrado pela Justiça. Em uma ocasião, esteve presente no Palácio do Planalto e apareceu em uma transmissão ao vivo com o presidente.

Para o MPF, o pastor utilizou de um “disfarce linguístico” para poder extorquir as vítimas. “Não se pode, a título de liberdade religiosa, permitir que indivíduos inescrupulosos ludibriem pessoas vulneráveis e firam a fé pública.”, escreveu o procurador Wellington Saraiva em uma recomendação de que o pastor fosse investigado por estelionato pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que teria a competência para averiguar o caso.

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