Anvisa reprova pedidos de importação da Sputnik V

A decisão foi tomada em reunião extraordinária nesta segunda-feira 26; a agência citou possíveis riscos à saúde e falta de documentação

A vacina Sputnik V. Foto: Oliver Bunic/AFP

A vacina Sputnik V. Foto: Oliver Bunic/AFP

Política,Saúde

A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária rejeitou nesta segunda-feira 26 os pedidos de importação da vacina Sputnik V, da Rússia, apresentados por estados.

O relator, Alex Machado Campos, foi o primeiro diretor a se manifestar. Ele negou as solicitações e foi seguido por todos os colegas.

Ao todo, 14 estados solicitaram a importação, mas a agência se debruçou sobre o pedido de cerca de 30 milhões de doses por 10 estados: Bahia, Acre, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Ceará, Sergipe, Pernambuco e Rondônia.

Antes de os diretores votarem, os gerentes da Anvisa já havia recomendado a reprovação da importação da Sputnik V. Eles citaram possíveis riscos à saúde e ausência de documentação para justificar a negativa.

Segundo o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da agência, Gustavo Mendes, o imunizante se baseia em um tipo de vírus que se replica no organismo. “Isso significa que o vírus que deve ser utilizado apenas para carregar material genético do coronavírus para as células humanas e, assim, promover a resposta imune, ele mesmo se replica, e isso é uma não conformidade grave”, argumentou.

Para a gerente-geral de Fiscalização, Ana Carolina Marino, também pesa a falta de relatórios de agências reguladoras estrangeiras que atestem a segurança e a eficácia da vacina. “Nós não tivemos sucesso na obtenção desses relatórios com as informações necessárias”.

De acordo com o relator, o diretor Alex Machado Campos, há um “mar de incertezas”.

“Os dias de ‘sim’ à vacina e aos medicamentos são comemorados. Nós comemoramos sempre. Ocorrerão, conduto, inevitavelmente, dias de ‘não’. E eles necessariamente traduzirão o que a razão de existir da Anvisa pode traduzir, que é proteger a saúde da população”, avaliou.

Nesta segunda, o Instituto Gamaleya, da Rússia, responsável pelo desenvolvimento da Sputnik V, usou as redes sociais para defender a aprovação do uso da vacina no Brasil.

“Prezada Anvisa, não temos tempo a perder – deixe-nos começar a salvar vidas no Brasil. Juntos. A Sputnik V foi autorizada em 61 países com uma população de mais de 3 bilhões de pessoas”, diz a publicação.

O instituto também argumentou que “testes clínicos em 5 países e vacinação no mundo real em mais de 40 países mostraram que a Sputnik é uma das vacinas mais seguras e eficientes do mundo. México, Argentina, Hungria e outros compartilharam publicamente dados de que a Sputnik V é a escolha mais segura”.

O Gamaleya ainda garantiu ter compartilhado com a Anvisa “todas as informações e documentações necessárias, muito mais do que o utilizado para homologar a Sputnik V em 61 países”. E fez um apelo: “Esperamos que a ciência, e não a pressão de outro país, seja usada para a tomada de decisão”.

Alguns estados também protocolaram no Supremo Tribunal Federal pedidos de importação da vacina russa. É o caso de Amapá, Ceará, Maranhão e Piauí. Mais cedo nesta segunda, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, havia negado um pedido da Anvisa para suspender o prazo para análise da importação da Sputnik V. Lewandowski determinou que a agência se manifestasse até 28 de abril sobre o pedido do Maranhão. Decisões semelhantes foram tomadas no âmbito de demandas de outros estados.

 

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