Política

Youtubers de direita tomarão posse com pendências na Justiça Eleitoral

Arthur do Val, Ana Caroline Campagnolo e André Fernandes fizeram fama na internet e se elegeram pela força do arrastão bolsonarista

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As assembleias legislativas do país serão ocupadas em 2019 por alguns novatos na política. Em São Paulo, foi eleito Arthur do Val, membro do MBL (Movimento Brasil Livre) famoso por importunar militantes em manifestações de esquerda.

A região Sul elegeu a catarinense Ana Caroline Campagnolo, inventora de um disque-denúncia de professores.

No Nordeste, ganhou mandato André Fernandes, um conservador que ganhou projeção nacional ao “denunciar” a fake news do descarte de uma Bíblia dada a Fernando Haddad.

Os três são conservadores, fizeram fama no YouTube e se elegeram pela força do arrastão da extrema-direita. Mas a entrada na política lhes rendeu outra coisa em comum: devem tomar posse enrolados com o TSE e sob risco de cassação.

O Ministério Público Eleitoral cearense pediu a inelegibilidade de André Fernandes por abuso de poder econômico e religioso. Vasculhando nas redes sociais, os procuradores descobriram que o candidato participou de cultos religiosos em cidadezinhas do estado, com o peito aberto para receber bênçãos e votos.

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Dali concluíram que ele se beneficiou de “uma espécie de publicidade extraoficial” nessas igrejas. A defesa nega.

O mesmo Ministério Público Eleitoral recomendou a reprovação das contas de Arthur por 11 irregularidades, a maioria em verbas recebidas via crowdfunding. Mais de 50 mil reais, segundo o parecer, carecem de relatórios financeiros. Outros 70 reais foram doados via CPFs cancelados por morte, além de outros problemas com gastos e declarações.

Os advogados do youtuber dizem que a inconsistência é por falta de detalhes no repasse das vaquinhas – o candidato foi recordista em doações individuais.

O caso de Ana Caroline Campagnolo é  parecido. Ao analisar as doações que ela recebeu, o TSE encontrou 11 problemas. Falta da comprovação de seis despesas com lojas de presentes, postos de gasolina e com a plataforma de doações eleitorais.

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Há também transferência de dinheiro de campanha para a conta pessoal, prática vedada pela lei eleitoral. Cerca de 600 reais circularam entre as contas jurídicas e a conta pessoal da deputada eleita. A defesa arguiu ressarcimento de despesas com propaganda. O tribunal decidiu, por 4 votos a 3, recomendar a reprovação das contas da deputada.

O acórdão conclui que “ainda que a candidata sustente se tratar de recursos próprios, cujo montante é inexpressivo”, gastar dinheiro em espécie que não passou pela conta de campanha “impede aferir a efetiva origem dos recursos”.

Campagnolo se define como ‘cristã, antimarxista e antifeminista’. A campanha custou ao todo 20 mil reais, segundo informado pela candidata ao TSE. Cabe recurso.

Thais Reis Oliveira

Thais Reis Oliveira
Editora-executiva do site de CartaCapital

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