Witzel pede para “governo acordar” e Bolsonaro diz que é exagero

Fechamento de divisas no Rio de Janeiro causa atritos entre governador e presidente

Governador do Rio de Janeiro pede medidas drásticas do governo federal. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Governador do Rio de Janeiro pede medidas drásticas do governo federal. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Política

O fechamento de divisas no Rio de Janeiro gerou atritos entre o governador Wilson Witzel (PSC) e o presidente Jair Bolsonaro. O decreto estadual foi anunciado na quinta-feira 19 e prevê o fechamento de rodovias e aeroportos. Para Witzel, o governo federal “tem que acordar” e tomar medidas drásticas para conter a proliferação do novo coronavírus, mas Bolsonaro enxerga exageros na medida.

Em entrevista à emissora GloboNews, Witzel afirmou que teme que a situação caótica na Itália e na Espanha se reproduza no Brasil, que já contabiliza 904 casos e 11 mortos, dois deles no Rio de Janeiro. Para ele, o bloqueio no trânsito de pessoas é inevitável para reduzir a circulação do vírus.

“Se nós não fizermos dessa forma, vamos começar a contabilizar mortos. Já começamos”, disse o governador. “Eu tenho dito que o governo federal precisa entender que os estados precisam de socorro. As pessoas estão perdendo os seus empregos, essas pessoas vão passar fome, os empresários estão quebrando, e o governo federal precisa acordar.”

Witzel lamentou ainda que “os governadores tenham que se comunicar com o governo federal através de carta” e acusou o Palácio do Planalto de “falta de diálogo” com os gestores estaduais.

Mas Bolsonaro vê excesso na medida de Witzel. Na porta do Palácio da Alvorada, o presidente declarou que Witzel tomou uma decisão que não é de sua alçada.

“Estão tomando medidas, no meu entender, exageradas. Fechar aeroporto no Rio de Janeiro não compete a ele, meu Deus do céu. A Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] está à disposição, a Anac é uma agência autônoma que está aberta a todo mundo, pô. Para conversar. Eu vi ontem um decreto do governo do Rio que eu confesso que fiquei preocupado. Parece que o Rio de Janeiro é um outro país. Não é outro país. Isso aqui é uma federação”, afirmou.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também publicou nota e defendeu que os aeroportos são bens públicos da União, portanto, não cabe ao governo do estado interditá-los. A Anac alega ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a medida, por prejudicar, “de forma irresponsável”, o deslocamento de profissionais de saúde, vacinas, órgãos para transplante e até insumos para medicamentos para os estados brasileiros.

Em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também criticou a medida de Witzel e disse que pode prejudicar o fornecimento de insumos hospitalares e até a produção de oxigênio. Ele defendeu que o controle das divisas não seja descentralizado e que faça parte de uma estratégia do governo federal. Na ocasião, Bolsonaro também declarou que atua para invalidar o decreto.

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