‘Vou exigir que ele mantenha tudo o que saiu na imprensa’, diz Aziz sobre relatório de Renan

'Ele não vai jogar e depois tirar. Vai tirar por quê? Por que o açodamento em vazar?', questionou o presidente da CPI da Covid

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Política

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), voltou a se manifestar nesta segunda-feira 18 sobre a divulgação antecipada de trechos do parecer do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão.

Aziz afirmou não ter “o direito” de se contrapor ao relatório, sob o risco de parecer “que a gente [integrantes da CPI] se entregou ao Bolsonaro ou está protegendo o filho do Bolsonaro”.

 

 

A jornalistas, o presidente da CPI declarou, após a sessão que ouviu parentes de vítimas da Covid, que seria “correto e de boa idoneidade para a unidade do grupo a gente saber do relatório hoje, discutir ponto a ponto, e não depois, pela imprensa”.

“Tudo o que saiu na imprensa, volto a repetir, eu vou exigir que ele [Renan] mantenha no relatório”, prosseguiu. “Porque ele não vai jogar e depois tirar. Vai tirar por quê? Por que o açodamento em vazar?”.

Pela manhã, o vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), analisou as divergências. Segundo ele, o relatório “não deveria ter sido vazado”.

“Deveríamos ter consolidado todas as contribuições e aí, sim, encaminhar o texto da parte do relator. O vazamento do texto antes de terem sido consolidadas as contribuições criou de fato um incômodo. Incômodo que temos que superar”.

Aziz, porém, reforçou que votará pela aprovação do relatório e que o compromisso da CPI é o de responsabilizar os culpados pelo descontrole da pandemia. “Sabe qual é a minha preocupação? É você tipificar alguma coisa e essa tipificação cair no primeiro momento e aí colocar tudo a perder. Esse é o meu medo. É quando você faz uma denúncia frágil que está colocando ali sem embasamento técnico e cair”.

Renan, por sua vez, reforçou que recomendará o indiciamento de Jair Bolsonaro por 11 crimes. Em entrevista à CNN Brasil, confirmou ainda que, apesar de mudanças nas datas da leitura e votação do documento, os tipos penais atribuídos ao presidente serão mantidos, “porque ele deixou de cumprir o seu dever para evitar mortes evitáveis”.

“Os juristas são quase unânimes em aceitar essa escolha desse tipo penal, está caracterizado o homicídio. O crime de endemia também está, a comissão é uníssona nisso”, completou.

Além do vazamento, a CPI se divide sobre a imputação de genocídio indígena a Bolsonaro. Na semana passada, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil encaminhou à comissão um parecer em que afirma que há indícios de que o governo federal cometeu o crime. Aziz, porém, não se convenceu.

“Alguém sabe onde teve genocídio de índios nessa pandemia? Eu não vi nenhuma matéria sobre isso, não tenho conhecimento, não há nenhuma denúncia. Então, como eu vou criar uma narrativa sobre uma denúncia de que eu não tenho conhecimento?”, perguntou o presidente da CPI durante entrevista à GloboNews.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem