Política

Vídeo: Lula visita condomínio que homenageia assentamento desocupado no governo Alckmin

Durante evento em Santo André (SP), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto manifestou apoio à candidatura de Lula, apesar do passado de seu provável vice

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou, na sexta-feira 25, o condomínio Novo Pinheirinho, cujo nome homenageia o assentamento Pinheirinho, desocupado de forma violenta em 2012, durante o governo do ex-tucano Geraldo Alckmin, o provável vice do petista na eleição deste ano.

O condomínio foi fundado em 2019, mas os moradores se mobilizam no local desde 2012, ano em que ocorreu o caso conhecido como “Massacre do Pinheirinho”. À época, uma operação de reintegração de posse comandada pela Polícia Militar de São Paulo foi responsável por um violento despejo que afetou cerca de nove mil moradores.

Dez anos depois, em artigo publicado em CartaCapital, o próprio coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos (PSOL), chamou Alckmin de “responsável direto” por “um dos despejos mais violentos da história”.

Em reportagem de vídeo publicada neste sábado 26, CartaCapital questionou militantes e moradores do condomínio Novo Pinheirinho sobre o apoio a Lula e a um vice com um passado tão criticado pelos movimentos de luta por moradia.

Há quem veja Alckmin como um nome de credibilidade; outros expressam insatisfação por sua trajetória à direita. O clima predominante, porém, é de uma “confiança” na figura de Lula nesta aliança, uma vez que a possibilidade da reeleição do adversário Jair Bolsonaro (PL) representa para muitos o prolongamento de um cenário de desespero.

Crítico a Alckmin, Boulos subiu no palanque com Lula e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e defendeu a ampliação de políticas habitacionais no governo Lula. O nome de Alckmin não foi citado em nenhum dos discursos.

Para o cientista político Darlan Montenegro, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, apesar da aparente controvérsia da visita de Lula ao condomínio que lembra um massacre atribuído ao seu provável vice, o contexto em que o petista se encontra é de disputa contra a ascensão da extrema-direita, o que aumentaria a relevância de atrair forças de campos que não sejam somente associados à esquerda. Alckmin representaria um “democrata” da direita e a aliança de que Lula precisa.

Ao mesmo tempo, o ex-presidente não pode romper com a sua principal força, que seria a identidade com os interesses das camadas mais pobres da sociedade. Ele precisa manter o vínculo com as bases, analisa o professor, ao mesmo tempo em que busca ampliar a sua sustentação.

“O Lula desponta como favorito, mas cercado de muitas dificuldades. Tem diante dele a necessidade de derrotar o atual presidente, que tem chance de reverter a situação e está disposto a não aceitar a derrota”, diz Montenegro. “Há forças que podem bancar o desejo do Bolsonaro de não aceitar a derrota. Então, ele precisa ampliar o apoio político para além da capacidade dele. Ele não tem sustentação suficiente para garantir a aceitação da vitória.”

Além do Novo Pinheirinho, Lula conheceu o condomínio Santo Dias, que leva o nome de um operário metalúrgico assassinado pela Polícia aos 37 anos, durante a ditadura militar. Os dois complexos habitacionais somam 910 unidades de moradia, com 54 metros quadrados cada. Segundo Boulos, a média da área dos apartamentos populares construídos por empresas privadas é de 39 metros quadrados. As propriedades receberam recursos do programa Minha Casa Minha Vida – Entidades, lançado pelo governo Lula em 2009.

Confira a seguir a reportagem em vídeo no evento do MTST:

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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