Política

Veja 5 prioridades inusitadas que Bolsonaro já anunciou

Fim da tomada de três pinos não é a primeira polêmica inesperada da agenda presidencial

 Valter Campanato/ Agência Brasil
Valter Campanato/ Agência Brasil
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Medidas anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) parecem estranhas às prioridades do país, mas algumas já viraram temas de debate nacional e foram celebradas por Bolsonaro quando se tornaram vigentes. Ao mesmo tempo, as propostas são capazes de surpreender até colegas do poder, como mostram as declarações do ex-ministro Carlos Alberto Santos Cruz, à revista Época: “Um show de besteiras”.

Veja, a seguir, cinco propostas inesperadas na agenda presidencial, anunciadas nos primeiros seis meses de governo.

Tomadas de três pinos: dias contados

A exclusão do terceiro pino da tomada é um dos assuntos da vez na política nacional. O Palácio do Planalto comunicou, neste mês, que prepara uma nova norma para retirar a obrigatoriedade do uso dos conectores com três pinos. O padrão foi adotado em 2011. Na época, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) informou, em nota, que a padronização traria “modelos mais seguros”.

A medida havia surgido para eliminar a diversidade de tomadas que existiam, como as de dois pinos redondos, pinos chatos ou tomadas de dois ou três orifícios. Antes, o consumidor precisava escolher entre mais de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), a variedade estimulava o uso indiscriminado de adaptadores de tomadas, os famosos benjamins, “colocando em risco a segurança dos aparelhos e dos próprios consumidores”.

Proibido chamar de “Vossa Excelência”

O presidente da República proibiu o uso de uma série de pronomes de tratamento na comunicação com agente públicos federais. A norma está no Decreto Nº 9.758 de 11 de abril de 2019.

As expressões vedadas foram “Vossa Excelência”, “Excelentíssimo”, “Vossa Senhoria”, “Vossa Magnificência”, “doutor”, “ilustre”, “ilustríssimo”, “digno”, digníssimo” e “respeitável”. A regra vale para diversas categorias de servidores públicos, como militares de Forças Armadas e de forças auxiliares, empregados públicos, e até ministros, vice-presidente e presidente.

Mercado aberto para os abacates

No início de maio, o presidente foi ao Twitter comemorar a abertura do mercado da Argentina para abacates brasileiros. Segundo Bolsonaro, o mercado foi aberto depois que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se reuniu com representantes do governo do país vizinho, em janeiro.

Na mesma publicação, o presidente afirmou que a demanda do mercado argentino pelo produto é de cerca de 360 toneladas por semana.

O sonho do peso-real

No dia 7 de junho, Bolsonaro defendeu a criação de uma moeda única entre Brasil e Argentina, o peso-real. Em visita à capital Buenos Aires, o presidente declarou: “Paulo Guedes nada mais fez do que dar um primeiro passo para um sonho de uma moeda única na região do Mercosul, o peso-real”.

Perguntado se o Brasil sofreria perdas econômicas com o projeto, Bolsonaro admitiu que seu “forte” não é economia e não descartou prejuízos financeiros. “Não há dúvida que, em todo casamento, alguém perde alguma coisa e ganha outras. Eu sou pelo casamento”, disse. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PSL-RJ), questionou a medida em sua rede social. “Será? Vai desvalorizar o real? O dólar valendo R$ 6? Inflação voltando? Espero que não”, opinou.

O presidente hermano, Maurício Macri, foi eleito em 2015 com a promessa de recuperar o crescimento econômico por meio de reformas liberalizantes. Entretanto, após quatro anos, o país enfrenta uma crise envolvendo inflação elevada e recessão. Segundo dados divulgados em março pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a pobreza no país já atinge 32% população urbana, o número mais alto desde 2001.

O fim do horário de verão

O horário de verão foi alvo do presidente em abril. Durante café da manhã com jornalistas, Bolsonaro anunciou o decreto: “Tomei a decisão que neste ano não teremos horário de verão”.

Todo ano, desde 1985, o país adianta uma hora nos relógios em outubro, em estados das regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste. O objetivo era aliviar o pico de consumo, em torno das 18 horas, e trazer economia de energia com o aproveitamento da iluminação solar.

Porém, o Ministério de Minas e Energia relatou decréscimo na economia de energia durante o período nos últimos anos. Apesar disso, a pasta não descarta que o horário de verão seja reinstituído, após avaliações.

Victor Ohana

Victor Ohana Repórter do site de CartaCapital

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