Vazamentos revelam que Lava Jato ignorou fraude relatada por Eduardo Cunha

O ex-presidente da Câmara relatou manipulação na escolha do relator no processo que cassou o seu mandato

 Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Justiça,Política

O procuradores da Operação Lava Jato optaram por não levar adiante uma denúncia feita pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) na qual ele relatava manipulação na escolha do relator no processo que cassou o seu mandato.

Cunha está preso desde outubro de 2016 e propôs fazer delação premiada, que não foi aceita pelo Ministério Público Federal. Foi o que revelou a reportagem do Uol, em parceria com o site The Intercept Brasil, que revela conversas vazadas do aplicativo Telegram.

 

O procurador da Lava Jato Orlando Martello disse em um grupo com outros integrantes da operação que a delação de Eduardo Cunha poderia ajudar, mas, segundo ele analisou, traria mais prejuízos do que benefícios. “A coisa que eu mais lamentarei, caso o acordo não seja feito, é a revelação das bolas pesadas do sorteio”, disse Martello.

A “bola pesada” que o procurador se refere é é uma expressão que sugere manipulação (por ser mais “pesada”, ela se destaca demais) no sorteiro que escolheria o relator do caso da cassação de Cunha.

Segundo a reportagem apurou, Cunha acusou o ex-presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), de indicar um relator mais favorável ao próprio Cunha.

As mensagens do aplicativo Telegram foram trocadas em um grupo chamado “Acordo Cunha”. Neles, participavam procuradores das forças-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Rio de Janeiro, Natal e na Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília. Também participavam investigadores da Operação Greenfield, em Brasília.

A maioria dos procuradores que se manifestaram no grupo de Curitiba achava melhor rejeitar a tratativa de acordo com Cunha.

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