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Trump instala cabeça de ponte no Brasil e indica intervenção nas eleições, diz ex-embaixador nos EUA

Para Roberto Abdenur, a decisão também é contraproducente e afasta a cooperação entre as polícias dos dois países

Trump instala cabeça de ponte no Brasil e indica intervenção nas eleições, diz ex-embaixador nos EUA
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Foto: Reprodução/Redes Sociais
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Eleições 2026

Ao decidir classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fixa uma cabeça de ponte no Brasil e ameaça as eleições deste ano, afirmou Roberto Abdenur, embaixador do Brasil em Washington entre 2004 e 2006, em contato com CartaCapital.

Cabeça de ponte significa, no contexto militar, a construção de uma posição estratégica em território inimigo, normalmente após a travessia de um obstáculo — um rio, por exemplo. Garante-se, assim, o controle de uma área para viabilizar o desembarque de tropas, suprimentos e equipamentos que servirão para as próximas operações.

“Trump instalou uma cabeça-de-ponte ‘legal’ para uma ofensiva intervencionista no Brasil: desde sanções econômicas e financeiras até, in extremis, ações de caráter militar pela CIA ou comandos especiais”, avalia Abdenur.

Trata-se, além disso, de um ato contraproducente, segundo ele: ao deixar informações relevantes sobre criminalidade com a CIA, impede a boa cooperação entre as polícias dos dois países.

A decisão do governo Trump, anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, aconteceu dois dias depois do encontro entre o presidente norte-americano e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na Casa Branca. O pré-candidato ao Palácio do Planalto afirmou ter solicitado a medida contra o PCC o CV.

“A cabeça de ponte vai pôr em marcha uma provavelmente intensa intervenção em nossas eleições”, adverte o ex-embaixador. “Flavio agora se junta ao irmão Eduardo na bem-sucedida traição à pátria.”

Roberto Abdenur ascendeu ao Itamaraty em 1963 e se afastou em 2007. Testemunhou da Guerra Fria à invasão do Iraque, passando pelo fim da União Soviética.

Como representante do mandato inicial de Lula (PT) na capital norte-americana, teve a complexa tarefa de reduzir a resistência da Casa Branca ao primeiro governo de esquerda do Brasil pós-redemocratização. O resultado foi positivo: o petista, antes visto apenas como aliado de Fidel Castro, construiu uma relação harmoniosa com George W. Bush.

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