‘Tenho as Forças Armadas ao meu lado e elas poderão ir às ruas’, diz Bolsonaro no ES

Além da ameaça, o presidente pediu a seus apoiadores que comparem o governo atual com os anteriores

O presidente Jair Bolsonaro durante passagem pelo aeroporto de Vitória (ES), no dia 11 de junho de 2021. Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro durante passagem pelo aeroporto de Vitória (ES), no dia 11 de junho de 2021. Foto: Alan Santos/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro voltou a usar as Forças Armadas para fazer uma ameaça à democracia. Durante evento em São Mateus (ES), o ocupante do Palácio do Planalto evocou os militares para atacar governadores que adotam medidas para conter a disseminação da Covid-19.

 

 

Bolsonaro também se referiu aos críticos como “os que buscam o poder pelo poder” e se definiu como “um presidente que acredita em Deus, que é leal ao seu povo, que acredita nos militares e que nunca jogou fora das quatro linhas da Constituição”.

“Um presidente que respeita todos os incisos do artigo V, onde estão escritos a liberdade de culto, o direito ao trabalho, o direito de ir e vir e a inviolabilidade do seu lar. Nada que ferisse esses dispositivos nasceu da minha caneta Bic. Não fechei nenhum comércio, não destruí nenhum emprego, jamais decretaria toque de recolher”, repetiu.

A seguir, tornou a tentar se apropriar dos militares. “Tenho as Forças Armadas ao meu lado, sou chefe supremo delas. Jamais elas irão às ruas para mantê-los em casa. Poderão, sim, um dia ir às ruas para garantir a sua liberdade e seu bem maior, que é aquilo previsto em nossa Constituição”.

O presidente ainda pediu que os apoiadores estabelecessem uma comparação entre o seu governo e as gestões  anteriores. “Como vivíamos no passado e como estamos hoje, apesar do momento difícil da pandemia?”.

Na quinta-feira 10, Bolsonaro condecorou o comandante do Exército, o general Paulo Sérgio Oliveira, com o grau mais alto da Ordem do Mérito da Defesa.

A homenagem foi feita uma semana depois de o Exército livrar de qualquer punição o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, que compareceu a um ato político pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Em nota, o Exército afirmou que, após o comandante ter analisado argumentos apresentados por Pazuello, “não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar” por parte do ex-ministro. “Em consequência, arquivou-se o procedimento administrativo que havia sido instaurado”, diz o informe.

Na cerimônia de quinta, no Ministério da Defesa, também foram condecorados, com graus mais baixos que o do comandante do Exército, a primeira-dama Michelle Bolsonaro;os ministros Carlos Alberto França (Relações Exteriores), Anderson Gustavo Torres (Justiça e Segurança Pública), Milton Ribeiro (Educação), Marcelo Queiroga (Saúde), Gilson Guimarães (Turismo), Fábio Faria (Comunicações), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

 

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Editor do site de CartaCapital

Compartilhar postagem