Política
Tarcísio confirma 14 mortes e defende a PM: ‘Não há combate ao crime sem efeito colateral’
Nos últimos dias, entidades de defesa dos direitos humanos receberam relatos de tortura durante a Operação Escudo, no litoral de São Paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou na tarde desta terça-feira 1º que chegou a 14 o número de mortos em decorrência da ação policial deflagrada no Guarujá, litoral paulista, após um agente da Rota ter sido assassinado na quinta 27.
Ao comentar o resultado da operação, questionada por setores da sociedade devido ao número de mortes e às acusações de tortura, o bolsonarista saiu em defesa da corporação.
“Temos uma situação de conflagração. Temos uma situação de crime organizado que tenta manter seu território, que está lá agonizando e retaliando. Não existe esse combate ao crime sem efeito colateral”, disse Tarcísio em coletiva de imprensa. “A polícia não quer o confronto, não interessa a ninguém. Seria muito bom ter policiamento comunitário, fazendo policiamento ostensivo, sem ter que usar armamento. Isso aí dá dor em todo mundo. Agora, fica sempre essa narrativa de que há excesso? Se houver excesso, a gente vai investigar.”
O governador ainda pediu respeito aos policiais que atuam na Operação Escudo, que seguirá em vigor pelo menos até o fim de agosto.
“Não é fácil entrar em uma área dominada pelo crime organizado. Se quer segurança, mas não se quer combater o crime? Vai entrar numa área conflagrada para ver se é fácil, sendo recebido a tiro”, emendou.
Entidades de defesa dos direitos humanos receberam relatos de tortura durante a operação e investigam mortes que – ao menos até a tarde desta terça – não constam dos dados oficiais.
Enquanto isso, a volta dos deputados estaduais de São Paulo ao trabalho após o recesso promete uma nova onda de pressão sobre Tarcísio pelo fim das câmeras nos uniformes de policiais militares. A discussão é encabeçada por parlamentares da extrema-direita, ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governador, por sua vez, tentará de se equilibrar entre a cobrança de “bolsonaristas raiz” (e pela chancela a toda e qualquer ação policial) e a construção de um personagem menos identificado com a extrema-direita, de olho na eleição presidencial de 2026.
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