Política

Suposta delação de Delcídio deixa Poderes à beira de crise

Planalto cobra providências do STF e da PGR contra vazamento, enquanto avalia que caso pode custar novo pedido de impeachment

Em 2008, uma revista noticiou que o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, tinha sido grampeado por algum órgão federal. O grampo jamais foi comprovado, mas o episódio quase causa uma crise entre os poderes, com Mendes a chamar o então presidente Lula “às falas”. A suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) provocou um stress parecido, mas com sinais trocados. 

Em nota oficial assinada por ela mesma nesta quinta-feira 3, Dilma Rousseff cobrou a apuração de como a delação, que se existe ainda deveria ser confidencial, virou reportagem de revista. “Os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade”, disse a presidenta. 

Dilma não citou os órgãos de quem espera investigação mas, em entrevista no Palácio do Planalto pouco antes da nota, o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deu nome aos bois. “Este vazamento envolve diretamente a Presidência da República” e “se tem o vazamento cabe à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal investigar o crime de vazamento”, afirmou. 

O fato de a suposta delação ter transitado apenas entre a PGR e o STF, segundo a revista IstoÉ, explica os destinatários da cobrança do ministro. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, avalia vir a público se pronunciar nesta sexta-feira 4. 

No STF, uma situação delicada. Na hipotética delação, Amaral teria dito que o presidente da corte, Ricardo Lewandowski, teria participado de uma suposta tentativa de Dilma de abafar a Operação Lava Jato. 

Cobranças públicas à parte, as primeiras análises da situação feitas no Planalto concluíram que a extensão das consequências políticas da suposta delação só poderá ser dimensionada nos próximos dias, à medida que se conheçam as reações no Congresso, na oposição e na mídia. 

Um ministro participante destas análises disse a CartaCapital que uma coisa já parece certa, no entanto. O fato político está criado, tem tudo para levar o PSDB a encampar outro pedido de impeachment da presidenta e para engordar as marchas Fora Dilma convocadas para o dia 13. 

Diante da suposta delação, a oposição teria condições de usar uma via para tentar cassar Dilma alternativa àquela aberta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Convertido em réu no STF por corrupção, Cunha maculou o impeachment. 

No Planalto, há espíritos prontos para a guerra. “2015 foi um ano de perplexidade, 2016 será de resistência”, diz um ministro.

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