Justiça
STJ condena ex-governador do Acre a 25 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção
As práticas ilícitas, iniciadas em 2019, já teriam provocado prejuízo superior a 16 milhões de reais aos cofres públicos
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Gladson Cameli (PP), ex-governador do Acre, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A pena foi fixada em 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado.
Além da privação da liberdade, a Corte Especial determinou o pagamento de multa e de indenização ao estado do Acre no valor de 11,7 milhões de reais. O colegiado também decretou a perda do cargo de governador – Cameli já havia renunciado no início do mês passado, pretendendo concorrer ao Senado.
O julgamento teve alguns votos divergentes em relação às condenações por fraude, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, e também quanto à fixação de indenização na própria ação penal, mas a maioria acompanhou o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, que apontou a liderança do réu no esquema.
Segundo a acusação, Cameli era o líder de uma organização criminosa composta por núcleos familiares, políticos e empresariais. As práticas ilícitas, iniciadas em 2019, já teriam provocado prejuízo superior a 16 milhões de reais aos cofres públicos.
O Ministério Público Federal indicou a ocorrência de fraudes na licitação e na contratação da Murano Construções Ltda. para obras de engenharia viária e de edificações, que teriam resultado no pagamento de 18 milhões de reais à empresa. As irregularidades foram apuradas na Operação Ptolomeu, que investigou um esquema mais amplo de desvios de recursos públicos.
Em seu voto, a ministra Nancy Andrighi apontou que a atuação da organização criminosa era estruturada com um núcleo político, composto por servidores comissionados de alto escalão, supostamente nomeados para garantir os interesses do grupo, e um núcleo familiar que atuaria de maneira estável e permanente, em conjunto com os demais núcleos, com o objetivo de viabilizar o desvio de recursos públicos em benefício próprio.
A ministra destacou que o então governador e seu irmão, Gledson de Lima Cameli, arquitetaram um esquema de contratação fraudulenta de empresas ligadas a este último, para prestação de serviços de alto custo ao estado do Acre. De acordo com ela, a estratégia incluía a contratação indireta e dissimulada da Construtora Rio Negro Ltda., da qual o irmão do governador seria sócio.
Foi nesse contexto que, segundo a ministra, ocorreu a contratação da Murano Construções, por meio da Secretaria de Infraestrutura do estado. “Extraem-se dos autos diversas movimentações financeiras que apontam que a verba desviada do erário enriqueceu Gladson e seu núcleo familiar”, observou.
A defesa negou as acusações e alegou a nulidade de provas, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a usurpação da competência do STJ em determinado período da investigação, declarando inválidos os elementos então produzidos, o que contaminaria as outras provas.
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