Sob influência paramilitar, grupo extremista pró-Bolsonaro segue acampado em Brasília

Remanescente dos atos antidemocráticos do dia 7 de Setembro, o ‘Ucraniza Brasil DF' é coordenado por um brasileiro que vive no país europeu

Extremistas do Ucraniza Brasil participam do protesto em Brasília.

Foto: Divulgação/Ucraniza Brasil

Extremistas do Ucraniza Brasil participam do protesto em Brasília. Foto: Divulgação/Ucraniza Brasil

Política

Um grupo denominado ‘Ucraniza Brasil DF’, com fortes influências paramilitares e um discurso de ódio ligado à extrema-direita, segue acampado em Brasília desde o ato pró-Bolsonaro do dia 7 de Setembro.

 

 

Os remanescente dos atos antidemocráticos estão alojados no Parque da Cidade, a sete quilômetros da Praça dos Três Poderes. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo,  há cerca de 18 barracas no estacionamento do parque e o acampamento conta com estruturas para cozinhar e lavar roupas. O local é chamado pelos ocupantes de ‘base de resistência’. Ainda segundo o jornal, os extremistas dizem estar preparando para partir rumo à Praça dos Três Poderes com o objetivo de ‘ucranizar o Brasil’.

A frase é uma referência aos protestos neonazistas da Ucrânia, onde manifestantes de organizações paramilitares de extrema-direita impuseram uma onda de violência entre 2013 e 2014, culminando na criação de um partido político, denominado Pravyi Sektor. Bandeiras ligadas ao partido já foram registradas em protestos bolsonaristas no Brasil.

Para ‘ucranizar o Brasil’, o grupo estaria disposto a fazer ‘uma faxina geral’ e ‘pôr fim à corja maldita’ da República, se referindo aos integrantes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. As promessas circulam em textos distribuídos pelos integrantes via aplicativos de mensagens.

A explicação ‘oficial’ do grupo para a expressão ‘ucranizar’ seria “a necessidade de se fazer uma intervenção civil pacífica, contundente, permanente e sem o financiamento de nenhum político”, explicam integrantes do acampamento nos vários pedidos de doação solicitados via redes sociais.

No local, é possível ler mensagens em faixas escritas em português e em inglês contra os presidentes do legislativo Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), além de ataques ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Há ainda uma mensagem em alemão negando o comunismo, bem como ícones de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Diretamente da Ucrânia, Alex Silva é um dos nomes apontados como responsáveis por coordenar o acampamento. O brasileiro envia vídeos constantes em que orienta os integrantes do movimento a se radicalizarem. Nas mensagens enviadas aos manifestantes, Silva diz que protestos como o 7 de setembro não ‘servem para absolutamente nada’ e orienta que o grupo parta para ‘manifestações violentas’.

Diretamente da Ucrânia, Alex Silva grava vídeo com paramentos militares; Ao fundo a bandeira rubro-negra com um tridente, usada pelo partido extremista Pravyi Sektor e ligada ao neonazismo.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Se você quer resolver o seu problema, essa é a dica. Simples. Povo brasileiro, você não tem que pedir, eu te autorizo. Você tem que saber pedir [ele fala enquanto aponta para uma foto de destruição na Ucrânia], gritar para os políticos e exigir que eles assim o façam, porque, se não [ele fala enquanto aponta para uma imagem de manifestantes ucranianos enfileirados com bastões em mãos, com os dizeres ‘assim você acaba com políticos e ditadores’], é claro, você vai fazer e falar de outra maneira. Entenderam o recado?”, diz Silva em um vídeo enviado no dia 16, conforme registra o jornal. O líder já foi avistado com bandeiras neonazistas em protestos pró-Bolsonaro no Brasil.

Segundo o governo do Distrito Federal, a ocupação do local pelos manifestantes não está autorizada. O governo afirma também que já trabalha para desfazer o acampamento o mais rápido possível, no entanto, sem informar quando ou como se dará a retirada.

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