‘Só Deus me tira daquela cadeira’, diz Bolsonaro ao deixar hospital

Ele afirma ter visto estudos que indicam que as principais vítimas da covid-19 são as pessoas obesas e aquelas tomadas pelo pavor ou pânico

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital Vila Nova Star, na zonal sul de São Paulo, na manhã deste domingo 18, após receber alta médica. Ele estava internado desde quarta-feira 14 para tratar uma obstrução intestinal.

Após deixar o hospital, Bolsonaro deve seguir ao aeroporto, onde embarca para Brasília. Até o momento, não há compromissos em sua agenda para hoje e amanhã.

Sem máscara, Bolsonaro conversou com  jornalistas na porta do hospital. Ele aproveitou a oportunidade para afirmar que só Deus o tira da presidência. Também criticou a CPI da Covid, falou em tratamentos alternativos e sobre o voto impresso auditável.

Ao criticar a CPI, o presidente voltou a negar a existência de um gabinete paralelo de aconselhamento sobre temas relacionados à pandemia. De acordo com o presidente, a investigação tem como objetivo prejudicar seu governo e faz parte de uma narrativa de uma narrativa de oposicionistas para manchar sua imagem. “Querem derrubar o governo? Já disse, só Deus me tira daquela cadeira. Será que não entenderam que só deus me tira daquela cadeira?”, disse aos jornalistas.

O presidente comparou a CPI da Covid e uma investigação em curso no Senado americano que busca esclarecer a origem do coronavírus. “A CPI daqui fica o tempo todo me acusando de corrupto. Eu não comprei, eu não paguei. E quem paga é alguém lá do ministério, é todo dia uma narrativa, é a CPI da cloroquina, é gabinete paralelo. Como se eu não tivesse autoridade para mudar alguém de ministério”, afirmou.

 

 

Bolsonaro também voltou a defender tratamentos alternativos para a covid-19, após uma comissão do Ministério da Saúde contraindicar cloroquina e hidroxicloroquina contra a doença. A tese não encontra sustentação na comunidade científica.

O presidente pediu por estudos no Brasil da proxalutamida —medicamento usado no tratamento de cânceres, como o de próstata—, que ele diz estar acompanhando estudos internacionais há algum tempo. “O que me surpreende é de ver o mundo, alguns países investindo em remédio para curar a covid, e aqui, quando você fala de cura para covid, parece que você é criminoso. Não pode falar em cloroquina, ivermectina”, afirmou.

Atualmente, a proxalutamida está sob investigação e não é comercializada. A utilização da droga para tratamento do coronavírus não foi aprovada em nenhum órgão regulador nacional ou internacional.

Bolsonaro afirmou que durante sua internação teve acesso a estudos —sem citar quais— do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos que apontam que as principais vítimas da covid-19 são pessoas obesas, seguidas de quem está tomada pelo pavor ou pânico, reforçando o discurso que adota desde o ano passado contra o isolamento social.

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem