Economia
Senado demora para analisar 6×1 e PT cogita retomar campanha ‘Congresso inimigo do povo’
O fim da jornada de seis dias de trabalho é uma pauta prioritária para Lula, que deseja aprová-la antes do período eleitoral
Integrantes do PT avaliam retomar a campanha “Congresso inimigo do povo” caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), continue a bloquear o avanço da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1.
A discussão interna ainda está em fase inicial, mas ganhou corpo em meio aos sinais de que Alcolumbre tende a não acelerar a tramitação do texto. O humor no partido piorou depois de a Casa Alta aprovar, a contragosto do Palácio do Planalto, um pacote de medidas de alto impacto nos cofres da União.
Sob reserva, dirigentes petistas afirmam que a sigla freou publicações que ligavam Alcolumbre e outros parlamentares ao Caso Master nos últimos dias, enquanto operadores do governo no Congresso buscariam uma mediação com o senador.
No entanto, o PT interpretou a aprovação das chamadas pautas-bomba como um sinal de que não há disposição ao diálogo da parte de Alcolumbre.
Na quarta-feira, o Senado aprovou um projeto que cria uma linha especial de crédito rural para renegociar dívidas de produtores rurais, ao custo total de 140 bilhões de reais nos próximos 13 anos.
Antes disso, os senadores avançaram com uma PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde, ainda pendente de análise pelo plenário, e endossaram o projeto que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de 3,6 mil reais para 13,6 mil reais.
O fim da escala 6×1 é uma pauta prioritária para Lula (PT), que deseja aprová-la antes do período eleitoral. O texto já passou pela Câmara, mas Alcolumbre demonstra resistência a pautá-lo.
Ele ainda não enviou o texto à Comissão de Constituição e Justiça, à espera da reunião de líderes para firmar um cronograma de tramitação. O distanciamento entre o senador e Lula também pesa nesta equação, motivo pelo qual operadores do governo no Congresso trabalham para viabilizar um encontro nos próximos dias.
Os dois têm se falado apenas por meio de interlocutores desde a articulação que culminou na derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, são dois dos expoentes que trabalham para restabelecer as pontes entre o Senado e o Planalto.
Entre assessores presidenciais circula a avaliação de que Alcolumbre só aceitaria se sentar com Lula mediante garantias de que a Polícia Federal não avançará sobre ele em razão de suas conexões com o ex-dono do Master Daniel Vorcaro. Um cacique petista, por sua vez, disse à reportagem ter enfatizado ao amapaense que o governo não controla a corporação, como ilustra o caso das fraudes no INSS.
Lula também demonstra resistência ao encontro. Segundo relatos de pessoas próximas ao presidente, ele ainda diz estar irritado com o que chama de “humilhação” imposta ao advogado-geral da União e repete que só se acalmará quando emplacar Messias na Suprema Corte.
Diante do risco de o fim da 6×1 travar, o presidente tem sido aconselhado a ceder. O cálculo vai além da reforma na jornada de trabalho e envolve também a busca pela garantia de que Alcolumbre não pautará medidas de alto impacto fiscal às vésperas das eleições.
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