‘Se alguma autoridade fizer algo de errado, o caos pode se instalar no Brasil’, diz Bolsonaro

Ao discursar sobre educação, o ex-capitão tornou a relativizar a ditadura militar: 'Não tem governo 100% certo'

Créditos: Reprodução

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Educação,Política

O presidente Jair Bolsonaro participou, nesta quarta-feira 24, de uma solenidade de certificação de 43 escolas cívico-militares, com a presença do ministro da Educação, Milton Ribeiro. Durante seu discurso, o ex-capitão cobrou uma atuação conjunta dos poderes Legislativo e Judiciário para evitar que o País ‘entre em crise’.

 

 

“Se nós aqui entrarmos em crise, se um de nós, uma autoridade, fizer algo de errado, o caos pode se instalar no Brasil. Alguns querem que eu tome certas decisões, a gente pensa no after day… Você tem que ter responsabilidade não só nas palavras, bem como usando a caneta. Nós não podemos criar o caos no Brasil”, disse.

No pronunciamento, Bolsonaro declarou que o Brasil ‘tem tudo para se transformar em uma grande Nação’, momento em que criticou a tramitação do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal. “Ninguém tem o que nós temos. Nós, autoridades, é que temos que viabilizar a exploração do que temos”, alegou. “Estamos pisando em ouro e pedindo esmola”, acrescentou, em referência às restrições impostas à exploração de recursos em terras indígenas demarcadas.

Ao discursar sobre educação, Bolsonaro tornou a relativizar a ditadura militar.

“O que acontece de errado no Brasil, nas últimas décadas, é um desvirtuamento, por parte de uma militância imperando em sala de aula. Como é difícil mexer ne legislação que trata da educação no Brasil… Olha as provas do Enem, como eram há pouco tempo, questões que não tinham nada a ver com o nosso futuro. Estou sendo acusado de interferir na prova. Se eu pudesse interferir, a prova estava marcada para sempre com questões objetivas, não ideológicas como vimos”, prosseguiu.

“Quem foi quem foi o primeiro general que assumiu em 1964? Castelo Branco. Em que data? Duvido que a imprensa acertaria. Em 15 de abril de 1964. Acreditem se quiser: por volta de 2012, teve um projeto de decreto legislativo apresentado por um parlamentar de um partido de esquerda que queria anular a sessão de 2 de abril de 64. Anular a sessão? O que foi essa sessão? A que tornou vaga a cadeira de João Goulart. Isso é historia. Não adianta ‘a’ ou ‘b’ tentar contar diferente. Stalin apagava fotos, o Congresso está apagando fatos”, disse. “Fui correndo na biblioteca e peguei uma copia do Diário do Congresso de 2 de abril de 64 e tenho até hoje comigo. A história não está apagada graças a mim. O que aconteceu depois é uma outra história, não tem governo 100% certo.”

 

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