Salles pede ao STF para depor diretamente a Aras

O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre um esquema de exportação ilegal de madeira

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Política

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu nesta terça-feira 1 ao Supremo Tribunal Federal para depor diretamente ao procurador-geral da República, Augusto Aras, no âmbito de uma investigação sobre exportação ilegal de madeira.

O relator do inquérito, que levou a um mandado de busca e apreensão contra Salles, é o ministro Alexandre de Moraes.

 

 

No ofício encaminhado a Moraes, a defesa de Salles solicita a “juntada do substabelecimento anexo, bem como sejam os autos encaminhados ao Procurador-Geral da República para que este promova a oitiva do peticionário, juntamente com representante da Polícia Federal, e os fatos sob investigação possam ser cabalmente esclarecidos o mais rápido possível”.

Há outra ação no STF, sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia, motivada pelas alegações do delegado Alexandre Saraiva, que comandou a Polícia Federal no Amazonas e foi retirado do cargo após acusar Salles de obstruir investigações e favorecer madeireiros. É nesta ação que, na segunda-feira 31, a PGR pediu a abertura de um inquérito contra Salles.

“Indicaram-se, naqueles autos, diversos episódios de atuação desses servidores em descompasso com as recomendações técnicas, com o objetivo de promover a regularização de cargas exportadas irregularmente e apreendidas pelas autoridades norte-americanas. Tal cenário evidencia, de forma ampla, a necessidade de aprofundamento investigativo dos fatos”, diz um trecho da peça da PGR, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros.

O pedido foi enviado à ministra Cármen Lúcia. Ela decidirá se autoriza as diligências propostas pela procuradoria:

  • “A oitiva dos proprietários rurais e agentes de fiscalização do IBAMA e do Departamento de Polícia Federal relacionados à ‘Operação Handroanthus’ – GLO;
  • “a requisição de cópia digitalizada da integralidade dos procedimentos de fiscalização e investigação relativos aos ilícitos ambientais”;
  • “a inquirição do noticiado”.

“No aguardo da pronta instauração do inquérito, e na certeza da máxima diligência da autoridade policial, resta o titular da ação penal em prontidão para dar ao feito seu impulso regular”, demanda a PGR.

Em 27 de abril, Cármen Lúcia determinou que a procuradoria se manifestasse sobre duas notícias-crime protocoladas contra Salles.

A ministra assinou despachos semelhantes em dois pedidos, apresentados pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva e pelo PDT.

 

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