Justiça
Relator pede prorrogação da CPI do Crime Organizado por mais 60 dias
Com apoio de 28 senadores, Alessandro Vieira tenta estender investigações em fase considerada ‘crítica’
A poucos dias do prazo final para encerramento dos trabalhos, o relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou um pedido de prorrogação do colegiado por mais 60 dias. O requerimento foi apresentado nesta segunda-feira 6 e já reúne 28 assinaturas – número suficiente para viabilizar sua tramitação.
A iniciativa ocorre em meio à avaliação de que a comissão chegou a um estágio decisivo das investigações. Responsável por conduzir o relatório final, Vieira argumenta que ainda há um grande volume de dados a ser analisado, além da necessidade de aprofundar cruzamentos de informações e realizar oitivas consideradas essenciais.
Segundo o senador, o material reunido até aqui indica a atuação de organizações criminosas com estruturas sofisticadas, incluindo mecanismos complexos de lavagem de dinheiro e possível cooptação de agentes públicos e privados.
No pedido, ele sustenta que o avanço das apurações revelou conexões que extrapolam o crime tradicional e alcançam setores da economia formal. “Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder”, afirma o relator.
A prorrogação também é defendida como necessária para dar continuidade à investigação sobre o chamado “caso Master”, apontado como um dos eixos mais sensíveis da CPI. De acordo com o relator, os desdobramentos desse episódio expõem riscos sistêmicos e exigem análise mais detalhada.
O pedido de extensão ocorre em um contexto de dificuldades enfrentadas pela comissão nas últimas semanas. Decisões do Supremo Tribunal Federal limitaram medidas aprovadas pelos senadores, como quebras de sigilo e convocações, além de impactarem a presença de personagens considerados centrais nas oitivas. Paralelamente, o ambiente político pré-eleitoral tem reduzido o ímpeto de parlamentares em avançar sobre temas sensíveis.
Com prazo atual previsto para se encerrar em 14 de abril, a CPI corre o risco de concluir seus trabalhos sem consolidar todas as frentes investigativas. Para o relator, a interrupção neste momento comprometeria a efetividade das apurações. Ele afirma que encerrar a comissão agora representaria um prejuízo ao interesse público e à compreensão da infiltração do crime organizado em diferentes esferas.
Entre os signatários do pedido estão senadores de diferentes partidos. Leia a lista completa:
- Alessandro Vieira (MDB-SE);
- Flávio Arns (PSB-PR);
- Esperidião Amin (PP-SC);
- Jorge Kajuru (PSB-GO);
- Fabiano Contarato (PT-ES);
- Mara Gabrilli (PSD-SP);
- Jaime Bagattoli (PL-RO);
- Styvenson Valentim (PSDB-RN);
- Sergio Petecão (PSD-AC);
- Plínio Valério (PSDB-AM);
- Wellington Fagundes (PL-MT);
- Jayme Campos (União-MT);
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO);
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
- Wilder Morais (PL-GO);
- Eduardo Girão (Novo-CE);
- Damares Alves (Republicanos-DF);
- Luis Carlos Heinze (PP-RS);
- Sergio Moro (PL-PR);
- Paulo Paim (PT-RS);
- Cleitinho (Republicanos-MG)
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);
- Leila Barros (PDT-DF);
- Confúcio Moura (MDB-RO);
- Magno Malta (PL-ES);
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR);
- Carlos Viana (Podemos-MG);
- Lucas Barreto (PSD-AP).
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