Randolfe rebate Bolsonaro: ‘Eu queria vacina, vocês queriam propina’

Presidente insinuou que senadores teriam adotado a mesma conduta que motivou investigações contra o governo no caso Covaxin

Randolfe Rodrigues e Jair Bolsonaro. Fotos: Roque de Sá/Agência Senado e Marcos Corrêa/PR

Randolfe Rodrigues e Jair Bolsonaro. Fotos: Roque de Sá/Agência Senado e Marcos Corrêa/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro acusou integrantes da cúpula da CPI da Covid de terem defendido a aquisição da vacina Covaxin sem licitação e sem a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, como se os senadores estivessem investigando o governo federal por condutas que eles mesmo teriam adotado antes.

 

 

 

A insinuação de Bolsonaro ocorre durante apurações da CPI que recaem sobre suposto superfaturamento na negociação do governo pela compra de 20 milhões de doses do imunizante.

Na postagem de Bolsonaro, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) aparece em vídeo em que faz um apelo para a Anvisa aprovar a Covaxin e a vacina russa Sputnik V. Na legenda, o presidente da República escreve: “Olha quem queria comprar a Covaxin sem licitação e sem a certificação da Anvisa”.

Na sequência, o chefe do Planalto também cita o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e Renildo Calheiros, irmão do relator Renan Calheiros (MDB-AL).

“Randolfe, Omar e Renildo Calheiros (irmão de Renan), via emendas, tudo fizeram para que governadores e prefeitos pudessem comprar as vacinas a qualquer preço, com o Presidente da República pagando a conta, obviamente”, escreveu Bolsonaro. “Com planos frustrados restou ao G-7 da CPI acusar ao governo do que eles tentaram fazer.”

 

Em resposta, Randolfe justificou que a sua postura era de tentar agilizar a vacinação contra a Covid-19, já que o governo federal obstruía o processo.

“É lógico que eu queria vacina o mais rápido possível”, escreveu o senador. “Salvar vidas, pra gente, não é brincadeira e não é algo que se negocie com intermediários. Queria a Janssen, a Covaxin, a AstraZeneca, a CoronaVac, a Pfizer… Nossa diferença é grande: eu queria vacina! Vocês queriam propina!”, acrescentou.

Em seguida, o parlamentar repetiu a acusação de propina na aquisição de vacinas.

“Coloquei emenda sim porque o seu governo sempre foi contra a vacina”, postou. “Nosso trabalho é para garantir que todos tenham acesso às vacinas. Nosso objetivo é salvar vidas! Quem paga a conta não é você, Bolsonaro. É o povo! A única conta de vocês é a propina.”

 

Bolsonaro e Rodrigues se referem à Medida Provisória 1.026/2021, apresentada pelo governo federal em fevereiro e que trata de medidas expecionais para a aquisição de vacinas. O texto sofreu alterações por emendas apresentadas por deputados e senadores durante a tramitação.

Randolfe Rodrigues foi autor de seis propostas de emenda ao texto. Nenhuma delas abordava especificamente sobre a Covaxin. Na emenda 13, sugeriu que as solicitações de autorização para uma vacina fossem analisadas em até 72 horas pela Anvisa. Se o prazo fosse esgotado e não houvesse manifestação, a permissão seria concedida automaticamente. Na emenda 76, propôs que a União fosse responsabilizada a assumir riscos por eventos adversos decorrentes dos imunizantes.

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Repórter do site de CartaCapital

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