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Racha na base de Dino impulsiona liderança de Braide no Maranhão, avalia cientista política

O candidato de ‘terceira via’ lidera as pesquisas. As investigações sobre desvios de emendas no estado ainda não afetaram a imagem do atual governador

Racha na base de Dino impulsiona liderança de Braide no Maranhão, avalia cientista política
Racha na base de Dino impulsiona liderança de Braide no Maranhão, avalia cientista política
Eduardo Braide e Orleans Brandão – fotos: Divulgação/Prefeitura de São Luís e Raillen Martins/Palácio dos Leões
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O escândalo que se abateu recentemente sobre o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), não é o principal fator a explicar o favoritismo de Eduardo Braide (PSD) na disputa pelo Palácio dos Leões. O que impulsiona a liderança do ex-prefeito de São Luís é a habilidade para se aproveitar do racha na base aliada de Flávio Dino, ex-governador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, afirmou a CartaCapital Ananda Marques, doutoranda em Ciência Política pela UnB.

Conforme uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira 24, Braide lidera a eleição com 44% das intenções de voto, seguido por Orleans Brandão (MDB) — sobrinho do governador —, com 25%. Completam a relação Felipe Camarão (PT), com 6%; Roberto Rocha (PRTB), com 3%; e André Luís (Missão), com 1%. Os demais postulantes não pontuaram. A tendência, portanto, seria de vitória do ex-prefeito ainda no primeiro turno.

Flávio Dino chegou ao poder no Maranhão em 2014 e se reelegeu quatro anos depois. Em ambos os mandatos, seu vice foi Carlos Brandão — este, por sua vez, venceu em 2022 com Felipe Camarão na vice.

Orleans Brandão e Camarão são, portanto, duas consequências da divisão no “dinismo”. Essa fratura abriu também uma espécie de terceira via, da qual Braide se aproveita até aqui.

“Braide se apresenta como alguém que consegue convencer o eleitorado de que é independente, apesar de ser de uma família de políticos. Ele consegue se descolar disso e vender uma figura de bom gestor”, analisa Ananda Marques. Ao contrário dos Brandão, o ex-prefeito não costuma criticar publicamente Dino, postura estratégica para atrair eleitores à direita e à esquerda.

Embora sublinhe o favoritismo de Braide, a sondagem Quaest apresenta dados que podem parecer contraditórios: candidato do PT, Camarão soma apenas 6% das intenções de voto, ao mesmo tempo em que 54% do eleitorado diz preferir que o governador eleito seja aliado do presidente Lula (PT). Jamais um petista se elegeu ao governo do Maranhão.

Segundo Ananda Marques, o Maranhão historicamente recusa a nacionalização da briga entre petismo e antipetismo. Seria, assim, um estado mais lulista que petista, razão pela qual Camarão aposta em colar sua imagem à do presidente no afã de iniciar uma arrancada nos 40 dias até o primeiro turno. Lula lidera as intenções de voto entre os maranhenses com 58%, ante 20% de Flávio Bolsonaro (PL).

E qual seria o peso eleitoral do escândalo que começou como uma suposta perseguição a um blogueiro maranhense, mas que se revelou um possível esquema de corrupção a atingir diretamente o governador, tratado em relatório parcial pela Polícia Federal como “provável líder de organização criminosa”?

Ainda não atingiu a imagem de Brandão, observa Marques. De fato, a maioria do eleitorado (54%) aprova o seu governo, segundo a Quaest. O governador nega as acusações de liderar uma organização criminosa envolvida em desvios de emendas e até assassinato. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal, exatamente sob a relatoria de Dino, hoje um desafeto do emedebista.

Para conhecer em detalhes essa investigação, que acirra a política maranhense em plena campanha eleitoral, leia a reportagem O crime é outro, na edição desta semana de CartaCapital, disponível para assinantes neste link.

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