Quebra de sigilo mostra conversas de Roberto Dias com empresa investigada na CPI

Desde 2020, Dias conversou mais de 100 vezes com a CEO da VTCLog, investigada pela Comissão em um suposto esquema mensal de propina

Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde.

Foto: Pedro França/Agência Senado

Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde. Foto: Pedro França/Agência Senado

Política

O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, acusado de pedir propina de 1 dólar por dose na compra de vacinas, fez uma série de contatos com a empresa VTCLog, investigada na CPI da Covid. Os dados constam na quebra de sigilo telefônico de Dias e foram revelados pelo jornal O Globo nesta segunda-feira 19.

Ao todo, segundo mostram os dados, Dias e Andreia Lima, CEO da VTCLog, realizaram 135 ligações telefônicas entre abril de 2020 e 2021. Os dados desconsideram chamadas feitas em aplicativos de mensagens. Segundo apurou a reportagem, as ligações somam mais de 4 horas de conversa.

A VTCLog é investigada pela CPI em um suposto esquema mensal de propina. As suspeitas são de que desde 2018 a empresa tenha desviado 990 mil reais mensais divididos por Dias e o líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Mais dois deputados que não tiveram os nomes revelados e outros servidores do Ministério da Saúde estariam envolvidos. A suspeita é de que o esquema movimentaria 59 milhões de reais em 5 anos.

 

 

Além das ligações, a quebra de sigilo de Dias revelou também troca de mensagens entre o então diretor e a CEO da empresa. Nas conversas, boa parte trata de cobranças de valores devidos pelo Ministério à VTCLog.

A VTCLog também é alvo da Comissão de Inquérito por um aditivo de contrato assinado por Alex Lial Marinho, subordinado de Dias na Saúde. O documento possibilitou o pagamento de mais 18,9 milhões à empresa, valor 1.800% maior do que o calculado pelos técnicos da pasta. O aditivo consta também em processo no Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo a reportagem, Ricardo Barros também aparece em conversas com Dias, mas o conteúdo das mensagens não está disponível.

O ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também conversou com Dias em maio de 2020 por ligação. O senador teria intercedido para evitar a demissão do diretor no fim do ano passado. Alcolumbre também negociou para reverter a prisão do servidor na CPI. O parlamentar alega que conversou diversas vezes com o ex-diretor, mas nega qualquer tema ilícito.

A quebra de sigilo também revelou conversas entre Dias e o ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), apontado como padrinho político de Dias no Ministério. Chama a atenção uma ligação entre os dois no dia 25 de fevereiro por volta das 18 horas, minutos antes do suposto pedido de propina feito por Dias no encontro com Luiz Dominguetti em um shopping de Brasília.

Em resposta à reportagem, Lupion diz que é “amigo de longa data” e conversa informalmente com Dias. O ex-diretor, por sua vez, não se manifestou.

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