Política

Quaest: Com 67% das intenções de voto, ACM Neto dispara na disputa pelo governo da BA

Apesar da larga vantagem registrada no levantamento, Felipe Nunes, responsável pela pesquisa, não vê um cenário de vitória ‘fácil e antecipada’ para o ex-prefeito de Salvador

ACM Neto. Foto: Reprodução
ACM Neto. Foto: Reprodução
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O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) tem 67% de intenções de voto e lidera com larga vantagem a disputa pelo governo da Bahia. A constatação é apontada pelos resultados da nova rodada da pesquisa da consultoria Quaest no estado, divulgada nesta quarta-feira 18.

Bem distantes do primeiro colocado estão Jerônimo Rodrigues (PT), com 6%, e João Roma (PL), com 5%. O resultado deixa o petista e o bolsonarista tecnicamente empatados na disputa. O levantamento monitorou ainda o desempenho de Kleber Rosa (PSOL) e de Giovanni Damico (PCB). O pessolista marcou 1% e o comunista não pontuou.

Em um segundo cenário, sem a presença de Roma, ACM Neto consegue chegar a 70% da preferência do eleitorado. Neste caso, Rodrigues se manteria em segundo lugar, com 8% das intenções de voto. Rosa iria a 2%.

ACM pode vencer no primeiro turno?

De acordo com Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, apesar da larga vantagem mantida por ACM na disputa, o resultado estaria longe de apontar vitória ‘fácil e antecipada’ do ex-prefeito. Isso porque, conforme mostra a pesquisa, os eleitores ainda não estariam 100% decididos em sua escolha.

“A vantagem expressiva de ACM está longe de apontar para uma vitória fácil e antecipada. Para 52% dos entrevistados, a escolha de voto para governador não é definitiva”, destaca Nunes. “Entre os eleitores de ACM Neto, 51% dizem que ainda podem mudar seu voto”, completa o pesquisador.

Pesa ainda contra ACM Neto o alto grau de desconhecimento do candidato petista. Ao todo, 74% dos eleitores dizem não conhecer Jerônimo Rodrigues, apadrinhado de Lula (PT) na disputa na Bahia. A associação com o ex-presidente pode ainda render bons frutos ao pré-candidato petista.

“Outro indicador de que a eleição não está resolvida é a preferência do eleitor baiano pela vitória de um candidato mais ligado a Lula (53%). Apenas 29% preferem a vitória de um candidato nem-um-nem-outro, o que parece ser o posicionamento adotado por ACM até aqui”, destaca Nunes.

O cientista político também classifica Lula como ‘principal padrinho político no estado’, já que seu apoio pode mudar o voto de quase 50% dos eleitores da Bahia. Em favor de Rodrigues, pesa ainda a importância do apadrinhamento de Rui Costa e Jaques Wagner, que influenciam, segundo o levantamento, 31% e 23% dos eleitores, respectivamente.

“A entrada de Lula como apoiador de Jerônimo muda significativamente o quadro eleitoral no Estado. Sem os apoios, ACM Neto vence Jerônimo de 67% x 6%. Com o apoio, a distância diminui significativamente, ACM vai a 47% e Jerônimo chega a 34%”, registra Nunes em sua análise dos resultados.

O que explica a vantagem de ACM Neto

Ainda segundo Nunes, a explicação para a vantagem de ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia estaria centrada em três principais fatores: sua baixa rejeição no estado; seu bom potencial de voto; e a conquista de votos em todos os espectros políticos.

“ACM Neto consegue a proeza de ter 70% dos votos entre os eleitores de Lula e 69% dos votos entre os eleitores de Bolsonaro. Jerônimo, o candidato do PT, tem 9% do voto de Lula; Roma, o candidato de Bolsonaro, leva 19% do voto do ex-capitão”, resume o pesquisador.

Como se vê, além dos votos de eleitores petistas e bolsonaristas, ACM ainda é quem mais emplaca nos eleitores da terceira via, conquistando altos percentuais do eleitorado de Ciro Gomes (PDT) e de André Janones (Avante).

Outro ponto favorável a ACM Neto é sua baixa rejeição, apenas 19% dos eleitores baianos dizem não votar no ex-prefeito em nenhuma hipótese. O potencial de votos também é o maior entre os pré-candidatos: 38% de indicações ‘conhece e votaria’ e 33% de indicações ‘conhece e poderia votar’. Só 7% dos eleitores não sabem quem é ACM Neto.

Lula pode fazer a diferença sim, mas é bom não ignorar a força de ACM. Ele conseguiu aumentar a distância para Jerônimo mesmo com o apoio de Lula ao ex-secretário de Educação de Rui Costa e conseguiu, ainda, diminuir sua rejeição, de 22% para 19%”, registra Nunes em sua análise.

Para chegar aos resultados, a Quaest entrevistou 1.140 eleitores na Bahia entre os dias 13 e 16 de maio. A margem de erro da pesquisa é de 2,9 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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