Justiça

PT propõe mudança no regimento da Câmara para impedir exercício do mandato fora do País

Alencar Santana busca reafirmar a territorialidade como princípio do mandato e tipificar como quebra de decoro o uso do cargo para atos contra a soberania

PT propõe mudança no regimento da Câmara para impedir exercício do mandato fora do País
PT propõe mudança no regimento da Câmara para impedir exercício do mandato fora do País
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
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O deputado Alencar Santana (PT-SP) apresentou, nesta segunda-feira 22, um projeto de resolução da Câmara que altera o Regimento Interno e o Código de Ética da Casa para estabelecer que o exercício do mandato parlamentar deve ocorrer, obrigatoriamente, em território nacional.

A iniciativa ocorre em meio às discussões sobre a situação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que permanece nos Estados Unidos após o fim de sua licença de 120 dias e enfrenta pedidos de suspensão e de cassação de mandato. Mais cedo nesta segunda, a Procuradoria-Geral da República apresentou uma denúncia contra ele por coação, também em razão de sua atuação no exterior.

O projeto determina que o afastamento do País só será permitido em caráter temporário, mediante comunicação prévia à presidência da Câmara e, no caso de missões oficiais, com autorização da Mesa Diretora. O texto ainda prevê que períodos de ausência irregular sejam contabilizados como faltas, mesmo que o congressista participe de sessões remotamente. Em situações persistentes, a Mesa poderá representar contra o deputado no Conselho de Ética e propor a suspensão cautelar do mandato.

Além disso, o PRC inclui no Código de Ética a obrigação de exercer o mandato em território nacional e caracteriza como conduta incompatível com o decoro parlamentar a utilização do cargo para praticar atos atentatórios à soberania brasileira, o que pode levar à cassação.

Na justificativa, Santana afirma que a presença física é “indispensável para o pleno funcionamento da Câmara e para a efetiva representação da população”, ressaltando que a tecnologia não pode substituir o contato direto com o eleitorado e o debate entre congressistas.

O projeto se contrapõe a uma proposta anterior apresentada pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), que buscava autorizar o exercício remoto do mandato no exterior, inspirando-se na experiência das sessões virtuais realizadas durante a pandemia de Covid-19.

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