Política

PT espera crescimento de Bolsonaro, mas sem chances de tirar vitória de Lula

Cúpula do partido acredita que eleição será decidida em dois turnos apesar do favoritismo do ex-presidente

Foto: EVARISTO SA / AFP
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A provável aprovação da PEC Eleitoral na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira 13 dará um fôlego à campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não será suficiente para o ex-capitão vencer a eleição de outubro. A avaliação é de integrantes do PT que, embora confirmem o favoritismo do ex-presidente Lula (PT), já não apostam que o pleito será decidido no primeiro turno.

A decisão sobre a PEC que cria benesses temporárias em ano eleitoral ficou para hoje após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), suspender a sessão na terça-feira 12. A proposta já havia sido aprovada em primeiro turno por 393 votos a favor e 14 contrários.

O texto estabelece um estado de emergência e libera do teto de gastos 41,25 bilhões de reais até o fim do ano para a expansão do Auxílio Brasil e do vale-gás, a criação de auxílios a caminhoneiros e taxistas, o financiamento da gratuidade de transporte coletivo para idosos, a compensação a estados que concederem créditos tributários para o etanol e o reforço do programa Alimenta Brasil.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), agosto será um mês decisivo para se avaliar o impacto das medidas do governo em relação à popularidade do presidente. Pesquisa da FSB, divulgada nesta semana, coloca Lula 10 pontos percentuais à frente de Bolsonaro. Já o instituto Datafolha, em seu último levantamento, mostrou uma distância de 19 pontos entre o petista e o ex-capitão.

“No próximo mês, a gente vai ver [o impacto da PEC Eleitoral no eleitorado de Bolsonaro], mas reverter o quadro e tornar o Bolsonaro favorito é muito difícil”, afirmou o parlamentar a CartaCapital. “Se ele [Bolsonaro] crescer, a possibilidade do voto de centro ir para o Lula já no primeiro turno cresce também”.

A cúpula petista julga que seria importante para a democracia brasileira, diante dos riscos de ataques de bolsonaristas a campanhas de políticos de esquerda, uma vitória de Lula já no primeiro turno, mas considera improvável que ocorra.

O ex-ministro Gilberto Carvalho avaliava que a possibilidade de segundo turno é grande antes mesmo da PEC Eleitoral entrar na pauta do Congresso. “O povo que recebe, sobretudo o Auxílio Brasil, já está calejado de enganações e de medidas que não resolvem a vida deles”, disse durante ato público “Vamos Juntos pelo DF e pelo Brasil”, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, que contou com a participação de Lula e do seu pré-candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB).

Para Carvalho, o fator decisivo para a disputa ir ao segundo turno é a divulgação em massa de fake news pela campanha de Bolsonaro.

“Temos que trabalhar muito. Eu não aposto nessa história de primeiro turno. E se não der certo? Vem um desânimo”, declarou à reportagem. “Temos que acabar com isso, o negócio é ganhar a eleição”.

Discurso de ódio

No evento, como noticiou CartaCapital, os principais discursos tiveram como tema o assassinato do petista Marcelo Arruda por um bolsonarista em Foz do Iguaçu (PR) no fim de semana. Lula relembrou as campanhas eleitorais que disputou e as três vezes em que perdeu: em 1989 para Fernando Collor e em 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso.

“Não tem nenhuma história, nenhum sinal de violência em todas as campanhas de que participei neste País. Mesmo quando perdi do Collor não teve encrenca”, discursou o petista a apoiadores. “O PT polariza nas eleições para presidente desde 1994 e não se tem sinal de violência”, prosseguiu.

Lula disse ainda que “a sociedade começa a perceber o que está em jogo” e lembrou recentes atos violentos contra sua campanha: a bomba caseira arremessada contra seu comício no Rio de Janeiro e o sobrevoo de um drone que lançou veneno em seus apoiadores em Uberlândia (MG).

O tom adotado por Alckmin foi mesmo ao repudiar a escalada da violência política às vésperas de começar a campanha eleitoral.

“Quando uma pessoa invade uma festa de aniversario e mata outro por intolerância política, quando com drone jogam veneno sobre o povo, quando atiram bomba na multidão, o Brasil precisa mudar”, pontuou. “Não é possível continuar esse estado de coisas”.

Apesar dos riscos, a ordem da campanha de Lula é “não recuar” diante das intimidações. “Segurança absoluta não existe em nenhum lugar do mundo. A nossa solução é não recuar, pois é isso que eles querem, que a gente recue”, disse Carvalho. “Temos que ter massa e povo na rua, pois é esta força que constrange e põe medo neles”.

 

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