Política
PT decide direcionar R$ 127 milhões do Fundo Eleitoral à campanha de Lula
Proporcionalmente, a campanha presidencial terá participação menor nos recursos do que na eleição anterior
A cúpula do PT definiu, em reunião nesta sexta-feira 3, a distribuição dos 615 milhões de reais do Fundo Especial de Financiamento de Campanha a que o partido terá direito nas eleições deste ano. A campanha à reeleição do presidente Lula ficará com 126 milhões de reais, enquanto a maior parcela será destinada às candidaturas à Câmara dos Deputados, que receberão 264 milhões de reais.
O cálculo da sigla também sinaliza uma mudança de estratégia em relação ao Senado. O PT reservou 61,9 milhões de reais para os candidatos à Casa Alta, correspondente a cerca de 10,08% do fundo — percentual quatro vezes superior ao destinado nas eleições de 2022, quando apenas 2,48% dos recursos foram direcionados às empreitadas.
A ampliação ocorre em um cenário em que estarão em disputa dois terços das 81 cadeiras na Casa, tornando a eleição decisiva para a correlação de forças no Congresso. Dirigentes petistas avaliam que fortalecer a bancada de aliados na Casa é fundamental para garantir governabilidade em um eventual quarto mandato de Lula e conter o avanço da direita, que busca ampliar sua presença no Senado para finalmente avançar com o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Também está no horizonte a expectativa de reduzir as dificuldades enfrentadas pelo Palácio do Planalto na negociação com o Legislativo. Desde o início da gestão petista, a relação com os parlamentares foi marcada por sucessivas disputas em torno da pauta econômica, da liberação de emendas parlamentares e da formação de maiorias para aprovação de projetos considerados prioritários pelo governo.
Embora Lula receba uma das maiores fatias do fundo, proporcionalmente a campanha presidencial terá participação menor nos recursos do que na eleição anterior.
Há quatro anos, quando disputou contra Jair Bolsonaro (PL), o partido destinou cerca de 26% do fundo eleitoral à sua candidatura, o equivalente a aproximadamente 131 milhões de reais. Agora, apesar do valor próximo, a participação caiu para pouco mais de 20% do total disponível.
Outro foco da estratégia petista será a disputa pelos governos estaduais. O partido reservou 11,7% do fundo para as candidaturas aos Executivos, percentual impulsionado principalmente pela tentativa de conquistar ou manter governos considerados estratégicos. Entre eles está São Paulo, onde o ex-ministro Fernando Haddad é tratado como prioridade nacional na sua tentativa de derrotar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O PT deverá disputar a reeleição com os governadores Rafael Fonteles (PI), Jerônimo Rodrigues (BA) e Elmano de Freitas (CE), além de lançar candidaturas próprias no Maranhão, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais — neste último, ainda pairam dúvidas sobre qual nome encabeçará o palanque petista.
Além das verbas destinadas diretamente às campanhas, a legenda manteve uma reserva equivalente a 6,4% do fundo eleitoral, cerca de 39 milhões de reais. A intenção é utilizar esses recursos ao longo da campanha para corrigir eventuais desequilíbrios na distribuição ou atender candidaturas que ganhem relevância durante o processo eleitoral.
Com 615 milhões de reais, o PT possui o segundo maior fundo eleitoral do País em 2026, atrás apenas do PL, que recebeu 881,7 milhões de reais.
Ao todo, o Tribunal Superior Eleitoral distribuiu 4,9 bilhões de reais entre 30 partidos para financiar as campanhas deste ano. Além dos recursos públicos, candidatos poderão arrecadar por meio de doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios, respeitados os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.
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