PSOL e PT acionam Conselho de Ética contra deputado por ameaça a mulheres

Delegado Éder Mauro (PSD-PA) disse que já matou muita gente e atacou deputadas de esquerda: 'Vão dormir e esqueçam de acordar'

O deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA), processado por partidos no Conselho de Ética. Foto: Reprodução/TV Câmara

O deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA), processado por partidos no Conselho de Ética. Foto: Reprodução/TV Câmara

Política

O PSOL e o PT entraram com uma ação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA), nesta quinta-feira 20, por ameaças a deputadas de oposição durante uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça, realizada em 12 de maio. Na ocasião, o parlamentar declarou que “matou muita gente” e disse que queria que elas “esquecessem de acordar”.

 

 

 

Éder Mauro já perdeu processo para Jean Wyllys, por publicar fake news na internet contra o ex-deputado.

Desta vez, a discussão começou quando o delegado disse “graças a Deus” ao momento em que a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) teve o discurso interrompido por uma falha de conexão na internet. Após a manifestação de Éder Mauro, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) solicitou a informação de quem fez a declaração, e ele próprio admitiu: “Fui eu”. Maria do Rosário, então, protestou contra o comentário que considerou como “desrespeitoso”. Em resposta, Éder Mauro reclamou do que chamou de “muita chatice”.

A presidente da CCJ, a bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), pediu compostura ao deputado e a retirada do comentário das notas taquigráficas, ou seja, o registro escrito dos discursos da sessão. Como o sinal de internet de Fernanda ainda não havia retornado, Bia passou a palavra para Maria do Rosário, que estava inscrita. A bolsonarista, porém exigiu que a petista não usasse seu tempo para protestar contra o deputado.

A contragosto de Bia Kicis, Maria do Rosário decidiu repudiar o comentário do delegado e reivindicou que a bolsonarista fizesse mais do que exigir a retirada das notas taquigráficas.

“Quero registrar que sua atribuição não é apenas retirar o comentário das notas taquigráficas, mas censurar o parlamentar que esse o faz”, disse a petista.

Em seguida, ela disse ter notado que o deputado continuava tumultuando a sessão e pediu que o seu tempo fosse congelado: “Eu estou sendo atrapalhada e quero que meu tempo seja paralisado”.

Éder Mauro, então, interferiu com outra provocação: “Depois chama de Maria do Barraco e ela acha ruim”.

Declarando-se ofendida, Maria do Rosário disse que o seu nome “não é para andar na boca de assassinos”. Bia Kicis decidiu interrompê-la: “Eu já me dirigi ao deputado e pedi que mantivesse a compostura”, justificou-se, enquanto a petista seguiu protestando contra a piada. “A deputada resolveu tumultuar a sessão”, completou Bia.

A esse momento, Maria do Rosário reivindicava respeito.

Posteriormente, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) manifestou apoio a Maria do Rosário: “Isso aqui está sendo palco de machismo, misoginia, violência e desrespeito, com a conivência da presidente da CCJ. É inadmissível. Quero me dirigir ao basculho: é um nojo tudo o que o senhor disse”.

Logo em seguida, Éder Mauro obteve a palavra e atacou as deputadas.

“Podem se fazer de vítima, chorar, espernear, fazer o cacete aqui na porra dessa sessão, que eu não vou baixar a cabeça e não vou me calar também!”, gritou.

“Vou dizer mais, senhoras deputadas de esquerda. Eu, infelizmente, já matei sim. Não foram poucos, não. Foi muita gente! Agora, tudo bandido. Nenhum era cidadão de bem, nenhum era pai de família, nenhum era cidadão que pudesse estar na rua trabalhando para levar sustento para sua família. Eram pessoas como aqueles que morreram lá em Jacarezinho, que destroem famílias, que levam drogas para os seus filhos, como filha de uma das deputadas que aqui tem, que hoje é destruída pela droga”.

Éder Mauro continuou: “Eu queria que vocês estivessem era aqui, fisicamente, para a gente poder discutir olho no olho. Vocês destruíram o País, vocês protegem bandidos! Passaram a semana toda protegendo os 25 bandidos que morreram em Jacarezinho! Foi pouco! Deveria ter mais operações dessas!”, berrou. “Eu não vou aceitar que vocês possam chamar os outros de torturador, assassinos, e nós não podemos dizer nem ‘graças a Deus’? É brincadeira! Vão dormir e esqueçam de acordar, rapaz!”, atacou.

“Não vou ser ameaçada de morte por um fascista, canalha”, protestou Fernanda Melchionna. A discussão prosseguiu ao longo da sessão. Os protestos da oposição foram retirados das notas taquigráficas por Bia Kicis.

No Conselho de Ética, o PSOL e o PT questionam que “se não é com objetivo de ameaçar os demais deputados, qual o sentido de declarar o desejo de estar discutindo algo presencialmente logo após manifestar que já matou muita gente?”.

Para as legendas, o deputado incorreu em “diversos atos atentatórios ao decoro parlamentar”, com ferimentos à Constituição Federal e ao Regimento Interno da Câmara. Se acatada, a ação deve ser analisada por um relator do Conselho e pode resultar em punição do deputado, como, por exemplo, afastamento ou perda do mandato.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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