Prevent Senior exigia ‘altas celestiais’ a fim de liberar leitos para ‘pacientes VIP’, diz advogada a CPI

Segundo Bruna Morato, não há leitos suficientes no plano; a operadora passou a utilizar a expressão 'rodar os leitos'

Foto: Divulgação/Prevent Senior

Foto: Divulgação/Prevent Senior

Política

A advogada Bruna Morato declarou à CPI da Prevent Senior, na Câmara Municipal de São Paulo, que a operadora solicitava “altas celestiais” a fim de liberar leitos para “pacientes VIP”. Ela auxiliou médicos do plano de saúde a elaborar um dossiê que menciona, além da prescrição de remédios sem eficácia, a ocultação de óbitos por Covid-19.

 

 

“A política da Prevent Senior é de pressão, e isso é inquestionável”, disse Morato aos vereadores nesta quinta-feira 21. “Não existem leitos suficientes. Até por isso eles passaram a utilizar a expressão ‘rodar os leitos’ ou ‘liberar os leitos’, o que foi dito na CPI do Senado com a expressão ‘óbito também é alta'”.

Morato afirmou ter recebido, nos últimos dias, mensagens de funcionários da Prevent Senior que dizem que, antes de entrar em vigor a expressão “óbito também é alta”, utilizava-se o termo “alta celestial”.

“Inclusive, disponibilizo, se necessário, essas mensagens. Quando questionada sobre o porquê, o pedido que vinha da diretoria era ‘precisamos de tantas altas celestiais porque precisamos de tantos leitos disponíveis'”, prosseguiu. As “altas celestiais” estariam ligadas aos “pacientes VIP”.

“Também existia a expressão ‘paciente VIP’. Ou seja, quando dava entrada no hospital um paciente que seria considerado, sei lá por qual motivo, VIP, eles precisavam a qualquer custo fazer o giro do leito. Dentro dessa necessidade, utilizava-se a expressão ‘alta celestial’ para o paciente que estivesse há muito tempo internado”.

Em setembro, durante depoimento à CPI da Covid, a advogada afirmou que a Prevent Senior e médicos do chamado Gabinete Paralelo formaram um pacto a fim de validar a hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19. O objetivo seria evitar a adoção de medidas de restrição da circulação.

“O que eles [clientes] me explicaram foi o seguinte: existia um interesse do Ministério da Economia para que o País não pare. Se nós entrarmos nesse sistema de lockdown, nós teríamos um abalo econômico muito grande. Existia um plano para que as pessoas pudessem sair às ruas sem medo”, disse a advogada.

Ela citou três médicos: Anthony Wong, Nise Yamaguchi e Paolo Zanotto. Cada um deles tinha, de acordo com Morato, uma função específica no pacto. Wong desenvolveria “um conjunto medicamentoso atóxico”; Yamaguchi disseminaria “informações a respeito da resposta imunológica das pessoas”; e Zanotto atuaria no âmbito da comunicação, “de forma mais abrangente”.

Segundo a depoente, “o objetivo era que as pessoas tivessem a impressão de que existia um tratamento eficaz contra a Covid-19″.

“Eles tinham a intenção de dizer que se as pessoas ficassem doentes elas tinham tratamento, desde que esse tratamento fosse feito. Esse tratamento recebeu nome de ‘tratamento precoce’. As pessoas recebiam o kit, tinham de tomar e supostamente estavam salvas de qualquer complicação”.

Procurada por CartaCapital, a Prevent Senior respondeu com uma nota. Segundo a operadora, “a advogada Bruna Morato é autora de uma tese fantasiosa e será responsabilizada judicialmente por denunciação caluniosa e outros crimes”.

“O depoimento de hoje foi pródigo em mentiras e narrativas criadas somente depois que a advogada fracassou em tentar um acordo milionário com a empresa, disse ainda a empresa. “A Prevent Senior tem total interesse que investigações técnicas, sem contornos políticos, sejam realizadas por autoridades como o Ministério Público. E repele o linchamento público do qual foi vítima junto com seus 3 mil médicos e cerca de 12 mil funcionários, sem direito à ampla defesa e ao contraditório”.

 

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