Política

Pré-candidatura de Lula e ‘reviravolta’ do petista repercutem na imprensa internacional

Veículos frisam que o petista se apresenta como o único capaz de tirar Jair Bolsonaro do poder

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
Apoie Siga-nos no

Os principais jornais do mundo relatam o lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil, feito no sábado 7, em São Paulo. A imprensa internacional frisa que o petista se apresenta como o único capaz de tirar Jair Bolsonaro do poder.

O diário francês Le Monde destaca que o comício foi “sóbrio”, depois de “vários erros” nas últimas semanas. “O ex-presidente fez de tudo para se apresentar como o pai da nação, reunindo os brasileiros apesar das diferenças partidárias”, relata o correspondente do jornal em São Paulo. “O objetivo não era esquentar uma sala já conquistada, mas presidencializar o candidato”, analisa o Monde.

O britânico Guardian ressalta que, embora o petista tenha vantagem nas pesquisas de intenções de votos para outubro, “nas últimas semanas houve sinais de nervosismo entre aliados de Lula e brasileiros progressistas, desesperados para ver Bolsonaro pelas costas, após uma série de erros do veterano esquerdista”, diz a reportagem. “No último fim de semana, Lula foi forçado a se desculpar depois de sugerir que policiais não eram seres humanos. Esta semana, ele foi criticado por afirmar que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, e seu colega russo, Vladimir Putin, eram igualmente culpados pela guerra na Ucrânia”, afirma o texto.

Lavar a honra

Le Monde observa que “o metalúrgico não quer apenas ganhar as urnas. Para ele, trata-se também de lavar a sua honra atingida e garantir o seu lugar na história”.

O Financial Times também assinala que a pré-campanha marca uma “reviravolta considerável” na carreira política do petista, depois de ser condenado por corrupção e passar quase dois anos na prisão, “antes de a Suprema Corte determinar que houve irregularidades processuais no seu julgamento”.

O FT, especializado na cobertura do mercado financeiro, observa que a campanha de Lula foca no eleitorado centrista e na construção de uma grande coalizão para barrar a reeleição de Bolsonaro. “Para muitos brasileiros, a eleição vai ser questão de escolher quem eles detestam menos”, analisa o jornal.

“Depois de uma série de gafes nas últimas semanas, Lula voltou com força para o seu script, passando uma mensagem familiar e crítica a Bolsonaro, além de intensamente nostálgica dos seus anos no poder”, afirma o Financial Times, frisando que o candidato continuou a não detalhar o seu plano de governo se for eleito, “apesar da pressão para fazê-lo”.

Único capaz de bater Bolsonaro

O Guardian destacou que, no discurso deste sábado, Lula pediu a união da nação “contra a incompetência e o autoritarismo da extrema direita”, representada pelo governo Bolsonaro. “Luiz Inácio Lula da Silva deu o pontapé inicial no que, ele espera, seja um final sensacional para uma das carreiras políticas mais extraordinárias da América Latina, declarando publicamente sua intenção de desafiar Jair Bolsonaro à presidência e exortando os cidadãos a se unirem contra o populista de extrema direita”, salienta o texto, assinado pelo correspondente em São Paulo.

O francês Le Figaro explica que “não houve um candidato que tornasse uma terceira via viável” na eleição brasileira, portanto Lula aparece como “o único com chances de bater Bolsonaro nas urnas”, embora o atual presidente “pareça estar disposto a tudo para continuar no poder”. “O combate promete ser duro entre os dois homens, que se opõem em tudo e se detestam. As eleições de 2 e 30 de outubro demonstrarão a extrema polarização do imenso país emergente”, contextualiza a matéria, da agência AFP.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.