Justiça

Por 4 a 0, STF torna réu Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes

O julgamento ocorreu no plenário virtual da Primeira Turma

Por 4 a 0, STF torna réu Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes
Por 4 a 0, STF torna réu Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes
Eduardo Tagliafero e o ministro Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução/Instagram
Apoie Siga-nos no

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República e tornar réu Eduardo Tagliaferroex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral. A análise ocorreu no plenário virtual.

Moraes, relator do caso, votou por receber a denúncia e teve o endosso dos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. A quinta cadeira do colegiado está vaga desde que Luiz Fux pediu transferência para a Segunda Turma — o próximo ministro indicado pelo presidente Lula (PT) e aprovado pelo Senado preencherá a lacuna.

A PGR acusa Tagliaferro de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo a denúncia, entre maio e agosto de 2024, o ex-assessor encaminhou à imprensa mensagens e dados sigilosos trocados com servidores do STF e do TSE.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o próprio Tagliaferro teria admitido à esposa o repasse de informações confidenciais ao jornal Folha de S.Paulo. A PGR sustenta que ele ameaçou divulgar novas informações sigilosas após deixar o País, o que configuraria coação no curso do processo.

Em seu voto, Moraes rejeitou todas as preliminares da defesa – entre elas as alegações de impedimento, suspeição, cerceamento e nulidade das provas – e considerou presentes os requisitos legais e a justa causa para a abertura da ação penal.

O ministro afirmou haver indícios suficientes de que Tagliaferro violou o sigilo funcional ao vazar mensagens internas do TSE e do STF, usou de ameaça pública ao prometer novas revelações sigilosas após fugir do Brasil e agiu em alinhamento com uma organização criminosa voltada à desinformação e à tentativa de golpe de Estado.

A Primeira Turma não avaliou a culpa ou a inocência do ex-assessor, apenas concluiu haver elementos suficientes para abrir uma ação penal. Com o recebimento da denúncia, o processo avançará para a fase de instrução, com coleta de provas, interrogatórios e oitiva de testemunhas.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo