Cultura
Polícia investiga possível fraude em contrato da gestão Nunes com ONG da produtora de ‘Dark Horse’
O acordo de R$108 milhões prevê contratação, instalação e operação de cinco mil pontos de wi-fi gratuito em comunidades e áreas periféricas da capital paulista
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira 1º, uma operação para apurar suspeita de fraude em um contrato firmado entre a prefeitura da capital paulista e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), chefiado pela dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As investigações da Operação Wi-Fi têm foco no contrato de 108 milhões de reais assinado entre a ONG de Karina Ferreira da Gama e a gestão de Ricardo Nunes (MDB) por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A ação, que cumpre oito mandados de busca e apreensão, teve como alvo o prédio da Secretaria e endereços ligados a Karina.
O acordo entre a ONG e a prefeitura prevê contratação, instalação e operação de cinco mil pontos de wi-fi gratuito em comunidades e áreas periféricas da capital, no âmbitodo programa Wi Fi Livre.
Um inquérito na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social mira suspeitas de irregularidade no cumprimento das regras previstas no edital. Entre elas, um possível superfaturamento nos valores cobrados para a instalação dos pontos de internet, e o descumprimento de metas e aditivos milionários no contrato inicial.
De acordo com apuração do jornal Folha de S. Paulo, a polícia trabalha com a suspeita de que parte dos valores tenha sido desviada do instituto diretamente para a produtora com o objetivo de financiar o filme de Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta segunda-feira que exista alguma relação entre a operação da Polícia Civil e ‘Dark Horse’. Ao ser questionado por jornalistas na chegada a um evento, ele respondeu, em breves palavras: “[não] tem nada a ver com o filme”.
Em coletiva à imprensa após uma cerimônia de entrega de unidades habitacionais na região central de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes também negou a suposta ligação entre a ação policial e o filme do ex-presidente.
“Eu acho que isso está mais por conta de que a pessoa que é dessa entidade [Karina] participa do filme do Bolsonaro do que, especificamente, do processo. Por que que só agora veio essa questão? O processo foi feito em junho de 2024, a comunicação a SPCine de que teria gravação do filme do Bolsonaro foi em outubro de 2025, mais de um ano depois. Não existe relação, por parte da Prefeitura de São Paulo, da nossa contratação de serviço, que está sendo feito e prestado”, disse.
Sobre as suspeitas de irregularidades, Nunes também se defendeu. “Toda investigação vai ter todo apoio da Prefeitura de São Paulo. Até o momento, nós não identificamos nada de irregularidade. Eu já pedi por duas vezes na última semana para poder rever todo o processo. E o que eu tive da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado dentro do processo de contratação”, completou.
Mais cedo, em nota, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia informou que o procedimento instaurado pelo MP “foi encerrado em janeiro de 2026 e não apontou problemas ou irregularidades na parceria com o Instituto Conhecer Brasil”. A pasta disse ainda que todos os questionamentos foram devidamente respondidos dentro do prazo. Por fim, destacou que “ofícios requisitando informações são atos comuns e se prestam exatamente para a fiscalização das parcerias públicas”.
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