Cultura
Polícia investiga possível fraude em contrato da gestão Nunes com ONG da produtora de ‘Dark Horse’
O acordo de R$108 milhões prevê contratação, instalação e operação de cinco mil pontos de wi-fi gratuito em comunidades e áreas periféricas da capital paulista
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira 1º, uma operação para apurar suspeita de fraude em um contrato firmado entre a prefeitura da capital paulista e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), chefiado pela dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As investigações da Operação Wi-Fi têm foco no contrato de 108 milhões de reais assinado entre a ONG de Karina Ferreira da Gama e a gestão de Ricardo Nunes (MDB) por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A ação, que cumpre oito mandados de busca e apreensão, teve como alvo o prédio da Secretaria e endereços ligados a Karina.
O acordo entre a ONG e a prefeitura prevê contratação, instalação e operação de cinco mil pontos de wi-fi gratuito em comunidades e áreas periféricas da capital, no âmbitodo programa Wi Fi Livre.
Um inquérito na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social mira suspeitas de irregularidade no cumprimento das regras previstas no edital. Entre elas, um possível superfaturamento nos valores cobrados para a instalação dos pontos de internet, e o descumprimento de metas e aditivos milionários no contrato inicial.
De acordo com apuração do jornal Folha de S. Paulo, a polícia trabalha com a suspeita de que parte dos valores tenha sido desviada do instituto diretamente para a produtora com o objetivo de financiar o filme de Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta segunda-feira que exista alguma relação entre a operação da Polícia Civil e ‘Dark Horse’. Ao ser questionado por jornalistas na chegada a um evento, ele respondeu, em breves palavras: “[não] tem nada a ver com o filme”.
Em nota, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia informou que o procedimento instaurado pelo MP “foi encerrado em janeiro de 2026 e não apontou problemas ou irregularidades na parceria com o Instituto Conhecer Brasil”. A pasta disse ainda que todos os questionamentos foram devidamente respondidos dentro do prazo. Por fim, destacou que “ofícios requisitando informações são atos comuns e se prestam exatamente para a fiscalização das parcerias públicas”.
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