Política
Podemos rejeita aliança e amplia fila de derrotas de Flávio Bolsonaro
Após PP, União Brasil e Republicanos, a legenda também decidiu permanecer neutra e enterrou o plano de Renata Abreu ser vice na chapa do PL
O Podemos decidiu permanecer neutro na eleição presidencial e descartou uma aliança com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), impondo mais um revés à estratégia do senador de ampliar sua coligação na reta final das convenções partidárias. A decisão praticamente encerra a busca do PL por um vice de outra legenda.
Nas últimas semanas, a campanha de Flávio intensificou as negociações com o Podemos. A principal aposta era atrair a presidente nacional da sigla, a deputada Renata Abreu (SP), para ocupar a vaga de candidata a vice-presidente. O assunto chegou a ser discutido entre os dois lados, mas nunca houve consenso sobre a possibilidade de integrar a chapa.
A definição ocorreu após consultas da direção nacional aos diretórios estaduais. A maioria defendeu que o Podemos mantivesse independência na disputa presidencial, preservando a liberdade dos filiados para apoiar os candidatos com quem tenham maior afinidade em seus estados.
A deputada federal Renata Abreu (SP), presidente nacional do Podemos. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Nos bastidores, dirigentes afirmam que a prioridade é ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados. Embora um acordo com o PL pudesse significar mais recursos do fundo eleitoral e maior tempo de propaganda, prevaleceu a avaliação de que um alinhamento nacional poderia prejudicar o desempenho do partido em diferentes regiões, onde há realidades políticas distintas e alianças locais tanto com forças de direita quanto com partidos da base do presidente Lula (PT).
O PL tentou convencer o Podemos de que uma aliança fortaleceria ambas as campanhas. Além da possibilidade de Renata Abreu integrar a chapa, interlocutores discutiram a divisão de recursos do fundo eleitoral, já que o partido de Flávio detém a maior fatia do fundo público para as eleições deste ano. A proposta, porém, não foi suficiente para alterar o entendimento predominante na legenda.
A decisão amplia o isolamento político de Flávio Bolsonaro. Antes do Podemos, a federação União Progressista (União Brasil e PP) já havia rejeitado uma coligação, frustrando a tentativa de levar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a vice. Nesta terça-feira 4, o Republicanos também anunciou neutralidade, retirando do radar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, considerada a favorita de Flávio para compor a chapa.
Sem o apoio das principais legendas de “centro”, a campanha do senador perde a possibilidade de ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e fica sem alternativas viáveis para buscar um vice fora do PL. O partido ainda pode adiar a definição da chapa até 15 de agosto, caso a decisão seja delegada à executiva nacional, mas, diante da sequência de recusas, cresce nos bastidores a expectativa de que Flávio recorra a um nome da própria legenda para completar a candidatura.
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