Justiça
PF prende ex-secretário de Eduardo Leite em operação sobre desvios de recursos para enchentes no RS
O esquema investigado aconteceu quando Marcelo Caumo, preso nesta quinta, ocupava a prefeitura de Lajeado
O advogado Marcelo Caumo, ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do governo de Eduardo Leite (PSD) no Rio Grande do Sul, foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), acusado de envolvimento em possíveis desvios de recursos públicos destinados ao apoio de pessoas atingidas pelas enchentes de 2024 no estado.
Na época das chuvas, Caumo (hoje filiado ao União Brasil) era prefeito do município de Lajeado. As investigações apontam para desvios de dinheiro do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).
“As investigações identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado”, informou a PF.
A prisão é temporária, inicialmente por cinco dias. O advogado Jair Alves Pereira, que representa Caumo no caso, disse a CartaCapital que não teve acesso à decisão judicial que autorizou a prisão e que, até 10h20 da manhã desta quinta, ainda não tinha conseguido falar com o cliente.
Em sua última postagem no Instagram, Caumo celebrou o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no carnaval carioca. Além de defender a “família tradicional”, ele afirmou que “os poderes de Brasília estão completamente destoantes do que pensa o povo brasileiro”.
Operação Lamaçal
A operação desta quinta é um desdobramento de outra, realizada em novembro do ano passado. Na época, Caumo ainda ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Ele deixou o cargo logo depois.
Na operação desta quinta, os agentes foram às ruas para cumprir mandados expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Há um segundo mandado de prisão temporária cujo alvo não foi divulgado. Também foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão.
Além de Lajeado e Porto Alegre, as ações desta quinta acontecem nas cidades gaúchas de Encantado, Fazenda Vilanova, Garibaldi, Muçum, Novo Hamburgo e Salvador do Sul.
Os investigados nesta segunda fase da Operação Lamaçal podem responder pelos crimes de desvio, ou aplicação indevidamente, de rendas ou de verba pública; de contratação direta ilegal, de fraude em licitação ou em contrato, de corrupção passiva, de corrupção ativa, de associação criminosa e de lavagem de dinheiro.
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