Justiça
PF quer dados do STF para apurar conduta de Eduardo Bolsonaro como escrivão
Na corporação, tramita um Processo Administrativo Disciplinar que investiga Eduardo por improbidade administrativa e por ameaçar servidores da PF
A Polícia Federal solicitou, nesta segunda-feira 16, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, compartilhe as provas produzidas no inquérito que investiga o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) por atuar nos EUA contra o Brasil. O inquérito foi aberto no STF em maio do ano passado.
Em outra frente, foi instaurado um procedimento administrativo disciplinar na PF para apurar as condutas do ex-deputado como escrivão da PF, cargo que ocupa desde 2010. Os agentes investigam indícios da prática de improbidade administrativa por ofender, ameaçar e expor servidores da PF na imprensa em razão de suas atuações em investigações que tramitam no STF.
Nesta segunda, a PF deu prazo de 15 dias para o ex-deputado dar ciência em um outro PAD contra ele, no qual deve explicar sobre o abandono do cargo, após ter seu mandato cassado.
A Procuradoria-Geral da República, ao apresentar o pedido de instauração do inquérito no Supremo, apontou que Eduardo publicou, reiteradas vezes, que estaria se dedicando a conseguir do governo dos Estados Unidos a imposição de sanções contra integrantes do STF, da PGR e da PF, “pelo o que ele considera ser uma perseguição política a si mesmo e a seu pai”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As investidas de Eduardo e as investigações ocorreram no contexto do julgamento de uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista. À época, o governo de Donald Trump impôs um tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, sob a justificativa de que o Supremo estava fazendo uma “caça às bruxas” julgando os golpistas.
Além das sanções econômicas, Moraes também foi atingido pela aplicação da Lei Magnitsky. Como resultado, todos os bens e fundos do ministro nos Estados Unidos ou sob posse de pessoas americanas ficaram bloqueados, sendo proibidas quaisquer transações com cidadãos, empresas ou instituições financeiras norte-americanas. Com o fim do julgamento, ambas sanções foram retiradas pelo governo americano.
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